segunda-feira, 11 de abril de 2011

A Colomba Pascal: As Pombas de Pavia (Itália)

Estes dias cheguei ao supermercado e me deparei com uma cena engraçadíssima:
Era cedinho, eu ia compra o pão para o café. E uma senhora estava parada diante da gôndola das colombas pascais e  olhava pra outra mulher, que lhe acompanhava, e dizia: “menina, o povo anda louco, já estão vendendo estes bolos de natal”. A outra mulher me vendo passar, riu da situação, puxou a senhorinha e saíram.

Eu tentei conter meu riso pra não passar por mal educado... Mas foi difícil. Rsrsrsrsrs. Eu poderia analisar aquela cena das formas mais variadas e criativas.
Porém preferi não julgar o acontecido e só trabalhar em cima da Colomba. Afinal, é tempo de elas serem vendidas aos montes.
Em italiano, a palavra colomba significa “pomba”. Mas, na Páscoa, esse significado se torna simbolismo. Na época que celebra a ressurreição de Cristo, o pão/bolo em formato de pomba, a colomba pascal, representa o Espírito Santo e a paz.
Seu sabor é suave e seu preparo é delicado. Sua receita contém mais manteiga e ovose pode receber cobertura de glacê, amêndoas ou ainda chocolate aromatizado, apresentando decorações requintadas.
A forma de pomba era utilizada muito freqüentemente nos antigos sacrários onde se reservava a Eucaristia. O símbolo eucarístico se converteu logo no pão doce que costuma ser compartilhado, em alguns países europeus - especialmente na Itália - no café da manhã de Páscoa e da "Pasquetta", a segunda-feira de Páscoa.

Segundo a Bíblia foi uma pomba com um ramo de oliveira no bico, que voltou para Noé após o dilúvio para testemunhar a reconciliação entre Deus e o seu povo. Um sinal forte tão intimamente ligado ao significado que a Páscoa tem dentro da cultura dos países cristãos.
Nos tempos medievais, quando as invasões bárbaras e, especificamente, as lideradas pelo Rei Alboino vieram para a Itália com seus soldados para conquistar a cidade de Pavia, a conquista foi dura e acabou sendo muito longa.
Rei Alboino - Tela o assassinado do Rei dos Lombardos
A conquista do lugar durou até três décadas, durante as quais os bárbaros foram expulsos da cidade. Depois de três anos, às portas de Pavia o Rei Alboino conseguiu romper os portões daquela cidade na véspera da Páscoa, em 572.
Na noite anterior ao rompimentos dos portões de Paiva, um velho padeiro chamado Luiggi sonhou  que Alboino invadiu sua cidade gerando muito sangue pelas ruas . Ao amanhecer  Luiggi fez a seguinte oração :


- Divino Espírito Santo, me dê uma luz, para que esta desgraça não aconteça!
De repente uma pomba pousou na sua janela e disse:
- Faça um doce em forma de pomba e ofereça ao rei.
Luggi obedeceu a esta visão. Desta maneira, no domingo de Páscoa, o padeiro preparou o quitute e foi oferecer ao rei.
O Rei estava tomado por um forte desejo de vingança, estava decido por queimar a cidade inteira e exterminar os cidadãos. Mas primeiro ele decidiu aceitar os presentes que as pessoas lhe davam para poupar suas vidas. E isto lhe seria o seu “cavalo de Tróia”.
Os presentes consistiam em doze meninas de rara beleza que, tradicionalmente, teriam de entreter as noites do soberano.
Diz a lenda que, enquanto o rei refletia sobre o destino dos habitantes apareceu diante dele um humilde artesão que lhe entregou mais um presente: um pão/bolo na forma de uma pomba, como um tributo e um gesto de paz. O doce ficou tão gostoso e tão bom que acabou empurrando o rei a mudar sua opinião sobre o destino dos habitantes de Pavia.
O padeiro  vendo que o Rei gostou do  bolo, pediu que ele prometesse poupar os habitantes daquela em honra –as pombas – símbolo  do  espírito santo. O rei  se deliciando, levou aquilo na brincadeira e prometeu o que o padeiro queria.


Cidade de Pavia - Itália
No entanto, visto que, quando o monarca pediu então pra que trouxessem ate sua presença os outros presentes, as 12 moças. Diante do monarca ele as inquiriu sobre o seus nomes e cada uma das meninas que lhe tinham trazido de Pavia lhe disseram que se chamavam  “Colomba”.
“Diz-se que o rei Alboino apesar de ter sido ‘enganado” optou por salvar os cidadãos e não matá-los depois deste episodio.

Outra lenda não menos famosa para o formado doce trata do ocorrido na Batalha de Legnano, em 1176, que foi vencida pela Liga do Comuns da Lombardia contra Frederico Barba-Roxa, imperador da Alemanha. Diz a lenda que a conquista da batalha foi celebrada com estes bolos na forma de pombas. E que a idéia deste formato se deu pelo fato de que algumas aves desta espécie atingiram com coco a cabeça de alguns dos vencedores enquanto eles descansavam antes da batalha, e a interpretação disso foi que eles seriam vitoriosos. Reza a lenda que a pessoa que comer a Colomba Pascal,  no domingo de Páscoa ,  terá paz o ano inteiro.
E pra que não falte Colomba no domingo de páscoa, deixo duas receitas de sobremesa e uma, de colomba salgada, feita com bacalhau, que é uma loucuraaaaaaaaaaaaa.

COLOMBA PASCAL

Massa
500g de farinha de trigo
100g de manteiga
100g de açúcar
5 gemas
40g de mel
1 colher de café de sal
40g de leite em pó
20g de fermento biológico
½ copo de água gelada
Essência de panetone ou de laranja
Recheio
130g de uvas-passas
180g de frutas cristalizadas
Cobertura
5 claras de ovos
250g de farinha de castanha de caju
200g de açúcar de confeiteiro
Coloque o fermento em um pequeno recipiente e esfarele com as mãos. Adicione ao fermente duas colheres de farinha, quatro colheres de água e misture. Reserve essa pequena massa por 20 minutos, até que ela cresça. É essa massa que vai fazer com que a colomba fique macia e cresça. Na foto, confira a massa antes e depois de crescer. Em uma superfície de pedra ou bacia, junte a farinha de trigo, a massa de fermento (chamada de esponjinha, pelo aspecto de esponja), margarina, açúcar, sal, ovos, leite em pó e mel. Pessoas que já têm habilidade com o preparo de pães podem optar por fazer a colomba com as mãos. Ainda assim, a recomendação é usar uma batedeira, de preferência planetária. Bata a massa e vá acrescentando, enquanto bate, lentamente, a água. Cuidado para não colocar muita água e perder o ponto da massa. Neste momento, também devem ser acrescentadas duas colheres de sopa de essência de panetone ou de laranja. Quem está preparando a massa com as mãos, pode fazer a mistura dentro de uma bacia. Não se esqueça de sovar a massa por cerca de 20 minutos. A massa deve ser batida, com o acréscimo de pequenas quantidades de água, até chegar ao ponto de véu, ou seja, até que possa ser esticada, sem se romper, mas com aspecto de transparência. Ao chegar ao ponto da massa, acrescente as uvas-passas e as frutas cristalizadas e apenas mexa a mistura. Use óleo para desgrudar a massa da batedeira e coloque-a sobre uma superfície de pedra. Em uma superfície de pedra, boleie a massa e divida-a em partes, de acordo com o tamanho de colombas que pretende fazer. Separe formas de papel para colocar a massa. A massa designada para cada colomba deve ser cortada ao meio, e uma das metades deve ser dividida mais uma vez. Das três partes, uma maior e duas menores, sairá o formato de pomba. Já na forma, deixa a massa descansar de 30 a 50 minutos, para crescer. Lembre-se que no calor a massa cresce mais rápido. Enquanto a massa cresce, prepare a cobertura. Coloque em um recipiente a farinha de caju e metade do açúcar de confeiteiro. Em seguida, acrescente as claras, e misture. Coloque a cobertura sobre as colombas. Antes de levá-las ao forno, jogue castanha de caju ou nozes, e peneire a outra metade do açúcar de confeiteiro sobre a colomba. Leva a massa ao forno pré-aquecido, aos 180ºC, por 30 minutos.

COLOMBA TRUFADA

300 g de Cobertura de Chocolate Meio Amargo  picada
1 lata de creme de leite (300 g)
1 xícara (chá) de nozes picadas (150 g)
1 colomba pascal (com cerca de 750 g)
50 g de Cobertura de Chocolate Branco picada

Derreta a cobertura de chocolate meio amargo com o creme de leite no microondas em potência média por 2 minutos, mexendo na metade do tempo. Misture ½ xícara (chá) de nozes e reserve.  Retire a fôrma de papel da colomba e corte esta em três camadas. Coloque a base da colomba (primeira camada) na travessa em que será servida e cubra com 1/3 da ganache. Repita esse processo mais uma vez e finalize com a última camada de colomba. Espalhe a ganache restante nas laterais da colomba, formando uma fina camada e coloque por cima as nozes restantes. Leve à geladeira por 30 minutos a fim de que o recheio fique levemente firme. Derreta e tempere a cobertura de chocolate branco. Coloque em um cone de papel manteiga e faça riscos sobre a superfície da colomba. Deixe em geladeira até o momento de servir.

COLOMBA DE BACALHAU

1 copo iogurte natural
2 colheres (sopa) azeite
1 xícara (chá) vinho tinto seco
1 xícara (chá) água
1 colher (sopa) açúcar
1 colher (café) sal
2 envelopes fermento biológico seco instantâneo (22g)
½ kg farinha de trigo
FAROFA
2 colheres (sopa) farinha de trigo
2 colheres (sopa) farinha de rosca
2 colheres (sopa) parmesão ralado
50g manteiga gelada em cubinhos
RECHEIO
3 colheres (sopa) azeite
½ kg bacalhau em lascas demolhado
1 xícara (chá) azeitonas pretas sem caroço
1 xícara (chá) tomate seco picado
Comece pelo recheio: aqueça o azeite e doure o bacalhau. Desligue a panela, acrescente o restante dos ingredientes do recheio, misture e deixe na panela até esfriar. Para a massa coloque em uma vasilha o iogurte, o azeite, o vinho, a água, o açúcar, o sal, o fermento e misture. Acrescente, aos poucos, a farinha com um garfo até que não consiga mais. Então utilize as mãos e sove a massa até que acabe a farinha e esteja uma massa homogênea e lisa. Deixe descansar por 20 minutos coberta com um pano. Enquanto isso faça a farofa: coloque todos os em uma vasilha, misture bem com as mãos e reserve. Abra a massa com as mãos, coloque o recheio por cima, feche a massa e misture muito bem, de tal modo que o recheio se espalhe por toda a massa. Divida em duas, coloque cada uma nas formas descartáveis de colomba e polvilhe a farofa sobre elas. Deixe fermentar por mais 30 minutos e leve ao forno quente (200º) por aproximadamente 50 minutos ou até que esteja bem dourada. Tire do forno, fatie e sirva quente ou fria.

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