sábado, 14 de maio de 2011

The Victória Sponge Cake: um clássico para o chá da tarde

Eu nunca neguei para ninguém meu fascínio por uma boa fatia de bolo – mas por bolo bem feito. Porque existem uns por aí que... só Jesus na causa! Fico até sem adjetivos para falar (para não ofender ninguém). E é justamente este meu fascínio que me faz postar hoje uma receita um bolo clássico e delicioso: o bolo esponja ou como é  mundialmente conhecido Victória Sponge Cake.


Antes, porem, para que eu possa explicar mais sobre esse bolo, se faz necessário voltarmos no tempo, para a época vitoriana da Inglaterra, e apresentarmos a Duquesa de Bedford, uma coadjuvante para a origem deste bolo.

É a Anna Maria Russell, sétima duquesa de Bedford (1783-1857), uma das damas da corte da Rainha Victoria (1819-1901), a quem se credita a invenção do chá das cinco. Quando a refeição do meio-dia tornou-se mais escassa, a história conta que a nobre sentia fome entre o café da manhã e o jantar e, por esse motivo, criou o hábito de tomar chá todas as tardes. Adotando o modelo europeu de serviço de chá, ela convidou as amigas para se juntar a ela para uma refeição à tarde por volta das cinco horas, nas salas de Belvoir Castle. 

Anna - sétima Duquesa de Bedford

O cardápio centrado em torno de pequenos bolos, pães e sanduíches de manteiga, doces variados e, claro, chá. Esta prática mostrou-se tão popular no verão, que a Duquesa continuou a exercê-la quando de seu retorno a Londres, enviando cartões para as amigas pedindo-lhes para se juntar a ela para "o chá e um passeio no campo”.




A prática de convidar amigas para o chá da tarde foi rapidamente adotada por outras anfitriãs nobres. Era uma oportunidade para exibir maravilhosas peças de porcelana e prata. Logo foram criadas regras de etiqueta para o serviço de chá e receitas que fariam parte do cardápio como: torradas com manteiga, geleia ou mel; muffins, bolos e uma grande variedade de biscoitos e pãezinhos.
A Rainha Victória aprovou a nova mania das festas de chá. Até 1855, a rainha e suas damas vestiam-se formalmente para o chá da tarde. E este bolo simples era um dos favoritos da rainha.

Rainha Victoria
Victória era filha de Eduardo, Duque de Kent, quarto filho do Rei Eduardo III e da ex-princesa de Leininge, seu pai morreu logo após seu nascimento. Seu reinado durou 64 anos, tendo nesse tempo elevado a Inglaterra ao posto de maior império do mundo. O seu governo era sinônimo de pontualidade e sofisticação, isso se deve ao fato da soberana ter influenciado o estilo de vida e comportamento dos ingleses.
Logo Victória manifestou interesse em seu primo Albert de Saxe-Coburg. A união com Albert, em 1840, fez com que a rainha se preocupasse com as questões que antes não a importava como, a política. A rainha percebeu que o país não poderia se manter isolado em suas fronteiras, que deveria ampliar seus horizontes. Diversos países europeus passaram a sofrer com a febre expansionista, porém, nenhum deles aumentou seus domínios territoriais como a Inglaterra da rainha Victória. Eles tiveram nove filhos.
Com o intuito de ampliar o mercado consumidor, a rainha fortaleceu as campanhas contra a escravidão mundial e incentivou a abertura dos portos internacionais. Em Novembro de 1861, Albert, o príncipe consorte esposo da rainha ficou a saber de rumores de que seu  filho Eduardo teria dormido com uma atriz na Irlanda. Horrorizado, Albert foi até Cambridge, onde o seu filho estava a estudar, e confrontou-o. No inicio de dezembro Albert estava muito mal. William Jenner diagnosticou-o com febre tifoide e o príncipe morreu no dia 14 de dezembro de 1861. Victória ficou devastada. Culpou o seu filho Eduardo pela morte do marido. Disse que Alberto tinha sido "morto por causa daquele assunto horrível". Entrou em luto e usou roupa preta durante o resto da sua vida. Evitou aparições públicas e raramente foi a Londres nos anos que se seguiram. O seu isolamento fez com que passasse a ser chamada de "viúva de Windsor".
Com a morte de seu marido em 1861, ela passou a se trancar em casa e a recusar-se solenemente a cumprir seus deveres públicos. Nunca mais pronunciou nada sobre política e, nem admitiu que ninguém esquecesse por um só segundo a sua dor, nem que tivesse infelicidade maior que a sua. Retirou-se na residência de Osborn House na Ilha de Wight. Segundo os historiadores, foi aqui que os bolos receberam seu nome.
Osborn House
A fim de inspirar a monarca a voltar para seus deveres cívicos, a rainha Victória era constantemente incentivada à festas de chá, onde este bolo era costumeiramente servido. O bolo se tornou moda em toda a Inglaterra vitoriana, e tornou-se também uma maravilha de um bom padeiro. A rainha Victória morreu em 1901, com 81 anos.

BOLO ESPONJA DA RAINHA VICTORIA – receita tradicional inglesa


1 xícara de farinha de trigo
1 e ½  colheres de chá de fermento em pó
1 xícara de açúcar de confeiteiro
1 xícara de manteiga amolecida
2 ovos
½  xícara de leite
1 colher de chá de essência de baunilha
geléia de sua preferência para rechear
chantily para rechear a gosto

Modo de preparar: Pré-aqueça o forno 200 graus C. Unte uma forma redonda de 20 cm com manteiga e farinha. Peneire a farinha e o fermento em uma tigela média e reserve. Bata a manteiga e o açúcar juntos em uma tigela média. Adicione os ovos, um a um misturando bem após cada adição. Lentamente, mexa a mistura da farinha com a manteiga, açúcar e ovos. Bata o leite e a baunilha até que a massa fique lisa. Despeje a massa na assadeira untada e asse em forno pré-aquecido até que um palito inserido no centro saia limpo, cerca de 20 minutos. Deixar o bolo esfriar por 10 minutos e vire-o sobre uma sobre uma grade para que esfrie completamente. Corte o bolo ao meio, na horizontal, e recheie com geléia de sua preferência ou creme de manteiga, ou cantilly. Normalmente o bolo não tem cobertura e para enfeitar se polvilha açúcar de confeiteiro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário