É pra se comer bastante esta idéia de combinar gastronomia, cultura e história unidas num lugar acessível. Principalmente numa época onde as pessoas se entopem de gorduras trans e não alimentam a alma.
Sabendo que o homem não nasce da fome, mas do apetite. Te convido a conjugar o verbo comer em todas as suas possibilidades.
Um brinde a você por estar aqui! Bon apetit!!!
Whiskey
Sour é um daqueles clássicos que se não houver na carta de drinques de um bar é
porque o bar é ‘ruim’ (me achei muito dramático escrevendo isso, mas essa é uma
verdade). Tá, talvez, o bar não seja de todo ruim, ele apenas não está
preparado para os amantes de clássicos da coquetelaria (Melhorou?). Melhor
entrar direto no assunto para não me complicar mais (risos). Para quem não sabe
do que se trata, Whiskey Sour é uma bebida feita da combinação de uísque com
suco de limão, açúcar – e (quase sempre) clara de ovo.
Para
contextualizar sobre a origem dessa bebida tem-se a necessidade de inicialmente
voltar no tempo até o século XVIII, quando James Lind, um cientista escocês,
descobriu que os cítricos eram um potente aliado para prevenir ao escorbuto
–este último, causado pela falta de
vitamina C no organismo, se configurava como uma das patologias mais comuns
desde a Idade Média, sobretudo entre os tripulantes de navios.
James Lind
A
descoberta de James Lind caiu nos ouvidos de oficiais da Marinha Britânica, e
virou regra. Assim, os marinheiros deveriam ingerir generosas doses diárias de
suco de limão para evitar problemas. No entanto, para disfarçar o gosto dos
limões, os marinheiros bretões o misturavam com rum, combinação que pareceu
agradável e que seguiu com eles pelos vários portos ao redor do mundo, até que
ocorreu a troca do rum pelo uísque, e a adição de açúcar – para equilibrar a
acidez a bebida.
Um Sour foi registrado pela primeira vez em 1856, na parte de
receitas de Fixes and Sours, com parte de uma lista de 107 receitas disponíveis
no menu do Mart Ackermann's Saloon, em Toronto (Canadá). No
que tange ao registro, a maior parte das referências sobre coquetelaria
clássica apontam o nova-iorquino Jerry Thomas, como o primeiro a registar receitas para Sours: Brandy Sour, Gin Sour e um chamado de Santa Cruz (ou mais
conhecido como Rum Sour).
Jerry Thomas incluiu receitas para sours em seu livro “The Bartenders Guide or The Bon Vivant’s Companion”, de
1862, que trazia o modo de preparo com os três ingredientes originais (um
destilado, suco de limão e açúcar) acrescidos de gelo raspado e com a
recomendação de que fosse servido em copo baixo. Mas, curiosos da coquetelaria
afirmam que essa receita não constava na edição original, sendo acrescida em
reedições posteriores – o que coloca em xeque o pioneirismo de Jerry Thomas.
Por
conta disso, recai sobre o jornal Plain Dealer, da cidade de Waukesha, no estado
do Wisconsin (EUA), a autoria da primeira citação pública sobre a elaboração de
um Whiskey Sour. Ressalta-se que esse fato ocorre oito anos após a suposta publicação de Jerry Thomas, na edição do dia 4 de janeiro de 1870.
Destaque do trecho do Jornal Waukesha Dealer de 1870, sobre Whisky Sour.
Waukesha
Dealer, em Wisconsin (EUA), cita o Whisky Sour em edição de 1870: “Então, que
Deus tenha misericórdia de sua alma’, foi o que eu disse enquanto tomava um
gole do drink de meu primo. ‘Amém’, disse o metodista, enquanto pedia outro
Whiskey Sour”. Mas, se levarmos em conta os meios de comunicação da época e as 800 milhas que distanciam Nova York de Waukesha, é muito provável que essa bebida já tivesse sido descoberta e consumida, ao mesmo tempo, em diversos bares pelo território dos Ianques.
Outro
relato do mesmo período deixa a história da origem desse coquetel ainda mais
controversa: trata-se de uma menção feita a um homem chamado Elliot Stubb,
ocorrida em 1962, pela Universidad Nacional de Cuyo, da Argentina, e publicada
em uma narrativa no livro “Anales del Instituto de lingüística”, que
conta que Stubb teria criado o Whiskey Sour em 1872, quando abandona seu
trabalho de mordomo no veleiro Sunshine e se estabelecer como dono de bar nas
proximidades do cais de passageiros do Porto de Iquique (aquele tempo um
território peruano – e não chileno).
Entre
uma tentativa e outra para elaborar uma nova bebida, Stubb se encanta com o
equilíbrio da mistura de limão e uísque no instante em que adiciona açúcar e
gelo. A tal bebida virou referência e ganhou destaque ao ponto de virar a
atração do bar de Stubb – as proximidades com o porto facilitou que a bebida
ultrapassasse o mar, indo parar na Inglaterra e nas ilhas britânicas.
Mas,
e a clara de ovo entrou como nessa história?
Para
mim, a clara de ovo nesse drinque é o elemento que confere ao drinque todo o
charme e a textura que ele possui. Mas, há quem não goste desse acréscimo. E,
pasmem, a inclusão desse ingrediente foi uma ideia que surgiu praticamente com
a invenção dessa bebida.
Os
primeiros Sours não utilizavam clara de ovo na composição. Assim, a
clara como ingrediente só aparece registrada no ano de 1892, no livro The
Flowing Bowl, escrito por William Schmidt.
A
técnica dry shake utilizada na preparação da bebida permite, com a
inclusão da clara de ovo, potencializar os sabores do limão e dar volume para a
espuma. Há quem diga que, se for incluir clara de ovo na mistura, ela passaria
a receber o nome de Boston Sour – uma homenagem para a cidade onde se acredita
que este tipo de mistura, com clara de ovo, foi servido pela primeira vez.
Na
literatura especializada em mixologia, a inclusão da clara de ovo no Whisky
Sour divide opiniões: o ingrediente aparece entre os ingredientes primordiais
na receita encontrada no livro Joy Of Mixology, de Gary Regan (2003);
contudo, surge como ingrediente opcional em The Essential Cocktail, de
Dale De Groff (2008), duas das mais relevantes publicações de mixologia da
última década. Um fato, é que a inclusão dá um charme na bebida, cria textura,
e ainda serve para proteger contra as impurezas do ar durante o consumo.
Contudo,
há quem evite a inclusão da clara de ovo simplesmente para diminuir os riscos
com intoxicação alimentar ocasionada por salmonela (fato comum quando há
ingestão de insumos sem cozimento). Mas o mercado logo arranjou uma solução
para esse problema: como substituto para a clara de ovo, alguns mixologistas
passaram a utilizar a albumina para reproduzir a textura e o volume da espuma
na bebida. Além de não oferecer riscos à saúde, a albumina não tem odor, é
fácil de ser manuseada e é tão cremosa quanto a clara de ovo natural.
Apesar
das mudanças tecnológicas e culturais sofridas no século XX pelo Whiskey Sour
(e por outras bebidas que também são conhecidas como clássicos), deve-se
lembrar que a Lei Seca norte-americana tornou, cada vez mais, difícil encontrar
spirits em sua forma original. E mesmo quando isso ocorria, ainda se
encontrava com adição de corante e água. Logo, fica claro que o sours e
outros coquetéis simples sofriam por não possuírem complexidade suficiente para
esconder tal artifício.
Com
o fim da proibição da Lei Seca, veio a Segunda Guerra Mundial, e as destilarias
norte-americanas resolveram produzir álcool industrial ao invés da produção de
bebidas. O líquido era utilizado no front de batalha. Somente a partir dos anos
1960 é que o rum e o whiskey (uísque) começaram a retomar sua produção com a
excelência do período pré-Lei-Seca.
No
entanto, os drinques artesanais sofreriam com o consumismo e o imediatismo de
bebidas industrializadas ‘prontas’ que aparecem na década seguinte. E perderiam
o charme e aspectos que só um bartender consegue dar as bebidas. Atualmente,
preparar sua bebida, além de revigorar o uso dos clássicos, permite a quem
preparar a bebida manipular os ingredientes de acordo com o gosto dos
‘bebedores’.
“As três coisas que você precisa para uma
noite perfeita são um whiskey sour, uma chuva de meteoros e um táxi que chegue
antes de você estender a mão” (Dorian Crook, comediante norte-americano).
Dentre
outros ilustres apreciadores do whisky sour estão:
Dorothy
Parker, escritora norte-americana, reconhecida pela habilidade de transitar
entre a realidade e o sarcasmo, era fã declarada do Whisky Sour – e
dificilmente dispensava a bebida;
Ernest
Hemingway – este também é conhecido pela sua inclinação aos Mojitos. F. Scott
Fitzgerald. Em seu livro To Have and Have Another, Philip Greene conta
que Hemingway apresentou a bebida ao colega de forma inusitada. O episódio
ocorreu em uma viagem de carro de Paris para Lyon, debaixo de muita chuva.
Hipocondríaco
assumido, Fitzgerald agonizava por uma suposta falta de ar causada pela
umidade. Hemingway, com sua habitual presença de espírito, recomendou uma
parada e pediu a bebida para socorrê-lo. A receita vingou e os dois felizmente
chegaram sãos e salvos ao destino.
Por
fim, sabe-se que nos Estados Unidos, há um Dia Nacional do Whiskey Sour
previsto no calendário: 25 de agosto, que foi estabelecido pela devoção daquele
povo pela bebida.
Whiskey
Sour
60 ml
de whisky
1/2
clara de ovo
30 ml
de suco de limão-siciliano
2
colheres (chá) de açúcar
1
limão-siciliano
Gelo
Preparo: Passe
limão e açúcar na borda do copo em que o drinque será servido. Em uma
coqueteleira com gelo, coloque o açúcar, o suco de limão, a clara de ovo e o
whisky. Agite até o copo ficar gelado. Passe o drinque (sem o gelo) para o
copo, decore a gosto e sirva. Obs.:Um pulo do gato nesta receita talvez seja o uso
do açúcar. Quem não gosta de sentir cristais de açúcar, ou mesmo queira a
bebida menos doce pode se valer da seguinte dica: ao invés do açúcar que pede a
receita você vai incluir um shot de xarope simples que é feito com um medida de
água e uma de açúcar, que deve ser misturado bem até dissolver. Com esse xarope
pronto usar apenas um shot de xarope na bebida. Ou, use mel.
Peso
na consciência é osso! E venho aqui, hoje, para me redimir.
Bolo
pra mim é coisa séria. Tenho acompanhados os últimos casamentos reais
britânicos e conseguido as receitas dos bolos dos casamentos reais... Mas, por
estar com muitos afazeres acadêmicos e cuidando da saúde, deixei de postar nos
dias oficiais dos casamentos os bolos referentes a três casamentos reais entre
a realeza britânica: o casamento de Lord Ivar Mountbatten, primo da rainha, com
James Coyle (ocorrido em 22 de setembro de 2018), o casamento da princesa
Eugenie de York com Jack Brooksbank (ocorrido em 12 de outubro de 2018) e o de
Lady Gabriella Windsor com Thomas Kingston (0corrido em 18 de maio de 2019).
Entre
o casamento do príncipe Harry e Meghan Markle (em maio de 2018) e o casamento
da princesa Eugenie com Jack Brooksbank (em outubro de 2018), os quais a
população britânica já estava ansiosa, ocorreu mais um casamento de membro da
família real que, aliás, entrou para os anais da história como sendo o primeiro
casamento entre pessoas do mesmo sexo incluindo um membro da família real.
Lord Ivar Mountbatten e James Coyle no dia do seu casamento.
Foi
assim que Lorde Ivar Mountbatten, primo de terceiro grau da rainha Elizabeth II, casou-se com seu
parceiro de longa data, James Coyle, em uma pequena cerimônia para família e
amigos próximos em uma casa de campo em Devon.
Lord Ivar: seus casamentos e seus filhos.
Lorde Ivar foi acompanhado e
entregue ao seu companheiro por sua ex-esposa, Penny Mountbatten - embora o
casal tenha se divorciado há oito anos, eles permaneceram amigos íntimos e têm
três filhas, Ella, Alix e Luli. A ideia de Penny levar o ex-marido ao altar da
cerimônia foi ideia das filhas. E, apesar de uma cerimônia romântica, houve
algumas diferenças sutis em relação à tradicional cerimônia de casamento: ‘Não
havia bolo para cortar’. A festa depois da cerimônia aconteceu no meio deum
laranjal, onde foi servido bastante Pol Roger, o champanhe preferido de Winston
Churchill, para acompanhar uma coleção diferenciada de queijos favoritos dos
noivos que fizeram as vezes de bolo de casamento. Por isso, o post de hoje vai
registrar apenas os bolos da princesa Eugenie e de Lady Ella Windsor – e eu vou
poder dormir em paz (risos). Vamos lá...
Quando
o príncipe Harry e Meghan Markle se casaram em 19 de maio de 2019, eles quebraram
uma série de tradições reais, uma das quais envolvia o bolo de casamento: que
fugiu do tradicional bolo de frutas. O casal optou por um bolo com ingredientes
da estação, e bastante moderno (Você pode conferir AQUI). Essa quebra no protocolo do bolo real seria
seguida, mais tarde, pela Princesa Eugenie de York e também, mais recentemente,
por Lady Gabriella Windsor.
Para
tratarmos de cada bolo em especifico, antes se faz necessário esclarecer por
que o bolo de frutas é o sabor tradicional do bolo de casamento da realeza
britânica.
Em
um mundo onde cupcakes e donuts viraram sobremesas da moda para servir em
casamentos, a família real britânica é fiel a tradição. Tão fiel, que o sabor
típico do bolo de casamentos reais remonta à Idade Média. Isso mesmo, o bolo de
frutas tem sido uma tradição real que nos leva de volta à Idade Média quando o bolo
de frutas era tipicamente servido em festividades como feriados, casamentos e
batizados. Mas o que há de tão especial sobre o bolo de frutas? Você pode estar
se perguntando...
Bem,
tudo isso tem a ver com geladeiras, ou melhor, com a falta delas. Geladeiras não
era commoditie existente na Idade Média. Logo, o bolo de frutas é
tradicionalmente feito com brandy ou algum tipo de conhaque, e também regado
com essas bebidas depois de pronto, pelo fato do álcool funcionar como um
conservante natural para o bolo. A fruta dentro do bolo funcionará como
sentinelas, o que significa que elas vão pegar as moléculas de água que
poderiam escapar por evaporação. É isso que mantém o bolo agradável e úmido, além
de não o deixar estragar por longos períodos de tempo – assim, não precisariam
de geladeiras para conservar o bolo.
Além
de manter a umidade e ajudar a preservar o bolo, a fruta maturada no bolo é
fundamental para garantir o sabor peculiar e delicioso. Deixar um bolo de
frutas apurar na bebida significa deixar os taninos dentro da fruta vazarem e
dar ao bolo um sabor ainda mais rico – para nós, brasileiros, isso pode parecer
estranho. Mas os britânicos dominam essa técnica como ninguém, e fazem os
melhores bolos de frutas.
O
bolo de frutas faz parte das celebrações da família real desde séculos. A
família real tende a manter as tradições familiares e culturais, que é uma das
principais razões pelas quais o bolo de frutas ainda é servido em casamentos
reais: a rainha Elizabeth II e o príncipe Philip serviram bolo de frutas em seu
casamento; assim como também o serviram o príncipe Charles e a princesa Diana,
o príncipe Andrew e Sarah Ferguson, e até a rainha Victoria.
Bolo de casamento da rainha Victoria com o príncipe Albert, em 1840. Considerado o bolo mais caro àquela época, constituído de ingredientes refinados e caros: media 3 metros de circunferência e pesava um poucos mais de 137 kg.
Estava coberto com glacê de açúcar branco puro e o topo do bolo mostrava a figura de Britânia no ato de abençoar a ilustre Noiva e o Noivo, que estavam vestidos com trajes da Grécia antiga. Aos pés de HRH, o príncipe Albert era a efígie de um cachorro, dita para denotar fidelidade; e aos pés da rainha Vitória havia um par de pombas tartarugas (rolinhas), denotando as felicidades do estado de casamento.
Um cupido sentado escrevia em um volume expandido em seus joelhos a data do dia do casamento real, sendo acompanhado por vários outros cupidos que carregam emblemas do Reino Unido.
Na superfície superior do bolo de casamento da rainha Victoria havia inúmeros buquês de flores de laranjeira e murta entrelaçados; raminhos semelhantes foram colocados soltos como presentes aos convidados no café da manhã nupcial. O elegante Royal Wedding Cake, um símbolo das celebrações do casamento, foi servido na mesa do café da manhã no palácio de Buckingham, após as cerimônias na capela real.
Bolo de casamento de Elizabeth II com o duque de Edimburgo, em 1947.
Bolo de casamento do Príncipe Charles com Diana, em 1981.
Bolo de casamento do Príncipe Andrew com Sarah Ferguson, em 1986.
O casamento do
príncipe William e Kate Middleton, em 29 de abril de 2011, também seguiu essa
tradição, mas com um diferencial: eles tiveram dois bolos: um bolo de frutas –
com tudo que um futuro herdeiro do trono exige -, e um outro bolo, de
chocolate, feito a pedido do noivo, por ser uma receita especial e preferida do
príncipe William (tratei deles AQUI e AQUI).
O bolo 'oficial' do casamento de William e Kate
E o bolo especial de casamento, pedido de William, por ser seu bolo preferido (receita AQUI)
Outra
vantagem de se usar um bolo de frutas para o casamento real é ter mais tempo
para trabalhar em decorações. Como foi o caso de Fiona Cairns, a confeiteira
que preparou o bolo real de oito andares de William e Kate: ela foi contratada
em 18 de fevereiro de 2011, e começou a assar os bolos de frutas ainda no
início de março, para o casamento que aconteceria em 29 de abril – o que daria
dois meses para maturar o gosto dos bolos e ela ter tempo suficiente para
trabalhara no design intrincado do bolo real para o casamento dos futuros rei e
rainha da Inglaterra.
Antes
de preparar o bolo de casamento real de William e Kate em 2011, Fiona Cairns
havia feito vários bolos que a família real - incluindo o príncipe Charles e a
princesa Diana – já haviam comido em vários eventos no passado. Na verdade,
antes de se aproximarem dela para fazer o bolo de casamento, William e Kate já
estavam familiarizados com o bolo de frutas de Cairns.
Detalhes do bolo de William e Kate.
Detalhes do bolo de William e Kate.
Ao
longo da história, bolos de casamento reais eram altos e pesaram de 300 (137
kg) a 500 libras (227kg). Por que eles são tão grandes? Porque eles precisavam ser
grandes o suficiente para servir mais de 2.000 pessoas. Além dos convidados,
fatias de bolo de casamento real são frequentemente embaladas e enviadas para
instituições de caridade e organizações próximas a elas.
No
casamento do príncipe William o bolo de frutas media 1 metro de altura, por um
metro de largura, e pesava cerca de quase cem quilos, levando dois dias e meio
para ser montado. Enquanto o bolo de casamento de 1947 da rainha Elizabeth e do
príncipe Philip media 2,74 cm de altura.
Com
tantas tradições e protocolos a seguir, você acha que o casal real não teria
nada a dizer sobre como seria seu bolo de casamento. Fiona Cairns esclareceu
que Kate, de muitas maneira, projetou seu bolo de casamento, porque ela sabia
muito claramente o que queria e o que não queria; as ideias partiram de Kate,
que participou de todo o processo de escolha do bolo, e deixou bem claro desde
o começo que não queria um bolo muito alto.
Um
fato curioso que foi revelado por Fiona, é que ninguém comeu o bolo de
casamento de William e Kate durante a festa: o bolo em si, que foi exposto e
bastante fotografado, não foi servido na recepção de casamento. Depois de
passar dois dias e meio construindo o bolo que você viu nas fotos, Cairns e sua
equipe foram até as cozinhas do Palácio de Buckingham para cortar 600 fatias
separadas de bolo de frutas para o café da manhã no dia do casamento – outra
tradição que se manteve neste caso. Um adicional de 4.000 fatias que Cairns e
sua equipe assaram também foram enviados pelo Príncipe de Gales em latas como
presentes.
Dito
isso, ainda cabe ressaltar que a durabilidade dos bolos de frutas para casamentos
real permite que o bolo dure o suficiente para ser servido no batizado do
primeiro filho do casal (outra tradição referente ao bolo de casamento real),
como aconteceu com os duques de Cambridge William e Kate. Mas, não irá ocorrer
com os duques de Sussex, Harry e Meghan, pois o bolo que eles escolherem não teria a tal da
durabilidade que tem um bolo de frutas.
O bolo de casamento do príncipe Harry e Meghan.
Na
verdade, o príncipe Harry e Meghan Markle não foram os primeiros membros da
famíla real a optar por algo um pouco menos tradicional em suas núpcias também. O príncipe Edward e a Sophie Rhys-Jones serviram um devil’s food cake (bolo de
comida do diabo – já tratei sobre ele AQUI), de sete andares, feito por Linda
Fripp para o casamento que ocorreu em 19 de junho de 1999.
Bolo de casamento do Príncipe Edward e a Sophie Rhys-Jones
Essas
modernidades continuariam a ser seguidas por mais alguns membros da família
real, como veremos a partir de agora.
O
bolo do casamento da Princesa Eugenie
Seguindo
os passos do primo Harry, a princesa Eugenie evitou o bolo de frutas como
escolha para o bolo real. Ela optou por servir um red velvet cake (já tratei
dele AQUI) com chocolate inspirado nas ricas cores do outono, e que foi
preparado pela confeiteira Sophie Cabot, de Londres.
Cada
bolo de casamento real traz símbolos e desenhos significativos e intricados que
se destinam a refletir as personalidades do casal, bem como o significado dessa
união, uma tradição que remonta ao dia do casamento da Rainha Vitória em 1840.
Assim, o bolo também teve decoração de hera feita em açúcar, em homenagem a
Eugenie e à nova casa de Jack, Ivy Cottage, no Kensington Palace.
Antes
do casamento, o Palácio de Buckingham anunciou que a sobremesa de casamento de
Jack e Eugenie seria "um bolo tradicional, com um toque moderno", e
"incorporaria as cores ricas do outono em seu design". No total, o
bolo continha aproximadamente 400 ovos, pelo menos 53 pacotes de manteiga sem
sal, 33 libras de farinha orgânica e 44 quilos de açúcar.
Veja
algumas Sophie Cabot em ação, preparando-se para o casamento abaixo:
Sophie
Cabot, era ex-figurinista até fundar seu negócio de bolos em Londres em 2014;
ela vem se interessando por confeitaria e panificação desde que era uma menina,
inspirada nas cozinhas de sua mãe e da avó. Ela chamou a atenção da família
real pela primeira vez quando o pai de Eugenie, o duque de York, a contratou
para criar biscoitos decorados personalizados para uma série de eventos durante
seu programa Pitch @ Palace. Cabot tem especialidade em flores artesanais em
açúcar e deixou o bolo bem caprichado para o casamento real.
Cabot
produziu tudo, desde bolos de casamento até bolachas e biscoitos
personalizados, mas sua especialidade em flores artesanais e acabamentos
pintados à mão deve ser útil para essa comissão em particular, já que o bolo é
considerado um épico inspirado no outono. Em seu anúncio, o Kensington Palace
disse que vai incorporar "as cores ricas do outono em seu design e será
coberto com trabalhos detalhados de açúcar, incluindo a hera".
Por
curiosidade, para aqueles que esperam ter seu próprio bolo de casamento
projetado pela Cabot estão considerando os custos de £ 180 (R$ 892,87) para um
bolo de único nível decorado. Se eles imitarem uma criação de cinco níveis
(como a que os pais de Eugenie, o Duque de York e Sarah Ferguson desfrutaram,
embora no tradicional bolo de frutas), pode custar cerca de £ 900 libras (R$
4.464,37).
O
red velvet cake (bolo veludo vermelho), tipo particular de bolo, existe desde
os dias da rainha Vitória, quando era servido como uma sobremesa
extraordinariamente extravagante e luxuosa. Alguns afirmam que o Devil's Food
Cake (bolo de comida do diabo, que usa chocolate para dar sabor) foi o
progenitor do bolo de veludo vermelho.
A
versão do bolo de casamento da princesa Eugenie foi composta por camadas de red
velvet com um ganache de chocolate, em vez do recheio mais comum de cor clara,
com queijo cremoso que acompanha usualmente este tipo de bolo. Aliás, para os
curiosos, o red velvet, configura como o 19º bolo favorito da Grã-Bretanha,
segundo uma pesquisa recente.
O
bolo do casamento de Lady Ella Windsor
Apenas
algumas semanas antes de a Princesa Eugenie se preparar para caminhar pelo
corredor, o Palácio de Buckingham anunciava que Lady Gabriella Windsor, a filha
do Príncipe e Princesa Miguel de Kent, se casaria com Thomas Kingston no
Castelo de Windsor. O feliz casal ficou noivo em agosto de 2018, quando
Kingston propôs o pedido na Ilha de Sark, uma pequena ilha no Canal da Mancha,
na costa da Normandia.
Ella,
como Lady Gabriella Windsor é mais conhecida, era muitas vezes vista em grandes
eventos familiares, como o desfile anual de Trooping the Colour. Ella
atualmente trabalha como "Diretora Sênior da Branding Latin America, uma
plataforma de posicionamento de marca especializada na região – e também é
escritora. Seu noivo Thomas trabalha com investimentos no mercado de fronteira
e é diretor da Devonport Capital.
O
casamento de Ella aconteceu no sábado, 18 de maio de 2019, apenas um dia antes
do primeiro aniversário de casamento do príncipe Harry e Meghan Markle. O
casamento começou às 12 horas e foi conduzido pelo reitor de Windsor.
No
entanto, Lady Ella ao mesmo tempo em que manteve a tradição com o bolo de
frutas, ela foi além: escolheu duas receitas clássicas britânicas e uma mais
moderna.
O
bolo de casamento de Lady Ella foi preparado pela mesma confeiteira que
preparou o bolo de casamento do príncipe William, Fiona Cairns. O bolo de Lady
Gabriella e Thomas foi uma bela criação de oito níveis, com decorações em glacê
e borda de folhas ao redor da base, inspirado nos tecidos dentro da Frogmore
House.
O
bolo continha três sabores diferentes: um luxuoso, tradicional e rico bolo de
frutas, um clássico Vctoria sponge cake (já falei sobre ele AQUI) e um bolo de
limão e Limoncello.
As
receitas deixadas abaixo para os bolos de Lady Ella são semelhantes às dos livros
de receitas de Fiona Cairns. Espero que possam se deliciar com algum deles – as
receitas estão em medidas para serem feitas em casa e não são tão complicadas.
Red
Velvet Cake
175 g
de manteiga sem sal, à temperatura ambiente, mais extra para engraxar
450 g
de açúcar refinado
3
ovos, à temperatura ambiente
3
colheres de sopa de cacau em pó
38ml
de corante Dr Oetker Natural Red ou 1 colher de chá de corante alimentar
vermelho em pó
1
colher de chá de extrato de baunilha
500g
de farinha de trigo
1 colher
de chá de sal
340ml
de leite com algumas gotas de limão dentro
1½
colher de chá de bicarbonato de sódio
1 ½
colher de chá de vinagre de cidra
Para o
recheio e cobertura
125g
de manteiga sem sal, à temperatura ambiente
175g
de queijo macio (cream cheese, mascarpone, ou outro de sua preferência)
500g
de açúcar de confeiteiro
Preparo:
Pré-aqueça o forno à marca de 180 ° C. Unte duas formas de bolo de 20 cm de
diâmetro e forre com papel manteiga untado com manteiga e reserve. Bata a
manteiga por um minuto ou mais, até ficar leve e fofa. Adicione o açúcar e bata
até incorporar. Junte os ovos, um de cada vez. Depois acrescente o cacau, o
corante alimentar e o extrato de baunilha. Peneire a farinha e o sal em uma
tigela e acrescente à mistura de manteiga em três etapas, alternando com o
leite e misturando bem. Coloque o bicarbonato de sódio e o vinagre de cidra em
uma tigela pequena e bata até que borbulhe. Adicione isto à massa de bolo e dê
uma última batida rápida. A adição do vinagre e do bicarbonato fará com que a
cor do bolo se desenvolva e permaneça vermelha quando cozida. Colher a mistura
nas formas, nivele o topo da massa, e asse por 45 minutos a 1 hora. Após 30
minutos, cubra a parte superior do bolo com papel alumínio para evitar que ele
se enrugue demais. Teste o bolo após 45 minutos; quando estiver cozido, uma
faca ou espeto inserido no centro sairá limpo. Retire o papel alumínio e deixe
esfriar sobre uma gradinha por cerca de 30 minutos. Retire da forma e deixe até
esfriar completamente antes de decorar. Para fazer o recheio, bata a
manteiga até amolecer, em seguida, adicione o queijo cremoso e bata por alguns
segundos para combinar. Adicione o açúcar de confeiteiro e bata novamente.
Quanto mais tempo você bater, mais cremosa será a mistura. Reserve à
temperatura ambiente até que esteja pronto para usá-lo. Se for um dia quente,
coloque-o na geladeira, mas retire-o 10 minutos antes de usá-lo. Para
decorar os bolos, primeiro você precisa nivelá-los. Use uma faca de pão
para cortar uma pequena parte da parte superior e deixe-a o mais plana
possível. Em seguida, você tem que cortar cada bolo ao meio horizontalmente;
novamente, use uma faca de pão. Agora você tem quatro camadas de bolo. Coloque
a camada inferior do bolo no seu prato de bolo. Espalhe o recheio,
certificando-se de que não é muito grossa; cerca de 1 cm é perfeito. Repita com
todas as camadas. Em seguida, cubra a parte externa do bolo com glacê. Decore a gosto.
Lemon
Limoncello Sponge Cake
Para o
bolo
250g
de manteiga sem sal, amolecida, em cubos e mais para as latas
250g
de farinha de trigo
1
colher de chá de fermento
Raspas
finamente raspadas de 2 grandes limões não lavados e suco de 1
250g
de açúcar refinado
4 ovos
grandes, levemente batidos
Para o
xarope
Suco
de ½ limão
15ml
de Limoncello
2
colheres de sopa de açúcar refinado
Para
preencher e decorar
300g
creme de leite fresco ou mascarpone
30ml
Limoncello (a gosto)
150g
de boa coalhada de limão, de preferência caseira
Raspas
finas de 1 limão grande
Açúcar
de confeiteiro a pó
Preparo:
Pré-aqueça o forno a 180⁰C / ventilador 170⁰C / 350⁰F / marca a gás 4. Unte as
duas formas de sanduíche de 20 cm e forre as bases com papel manteiga. Para o
batedor, uso uma batedeira e um batedor, mas uso um processador de alimentos,
uma tigela e um batedor elétrico, se preferir. Peneire a farinha e o fermento
na tigela e acrescente as raspas de limão, açúcar, manteiga e ovos. Bata junto
e por último adicione o suco de limão. Não misture demais. Divida a massa entre
as duas latas. Asse no forno pré-aquecido por 25-30 minutos, ou até que um
espeto saia limpo. Enquanto isso, faça a calda misturando o suco, Limoncello e
o açúcar em uma tigela. Assim que os bolos saírem do forno, pique-os com um
palito e ponha a calda sobre a calda. Deixe esfriar nas latas em uma gradinha.
Quando estiver frio, retire os papéis. Apare cada nível de bolo e divida ao
meio horizontalmente. Misture o Limoncello na coalhada a gosto. Coloque os
quatro bolos juntos usando camadas de coalhada de limão e creme de leite e
finalize com um pouco de açúcar de confeiteiro e um pouco de raspas de limão.
Luxury
Rich Fruit Cake
200g
de cerejas passas (ou em conserva)
280g
uvas passas brancas
280g
de uvas passas negras, de preferência lexia ou moscatel
100g
de groselhas
170g
de frutas cristalizadas
110g
de gengibre cristalizado picado (se não tiver o cristalizado usa in natura
mesmo)
3
colheres de sopa de melado preto
40g de
geléia de laranja
Raspas
de 1 limão não lavado, finamente ralado
Raspas
de 1 laranja, finamente ralado
1
colher de chá de mix de especiarias (canela, cravo, cardamomo)
100ml
de brandy, e mais 3 colheres de sopa para regar o bolo no final
250g
de manteiga sem sal, amolecida, e mais para untar as formas
120g
de nozes
40g de
amêndoas
180g
de farinha de trigo
1
colher de chá de sal
250g
de açúcar mascavo
160g
de amêndoas moídas
5 ovos
levemente batidos
Preparo: No
dia anterior, lave as cerejas, depois seque bem com uma toalha de cozinha e
corte-as ao meio. Coloque as passas brancas e as negras, groselha, as frutas
cristalizadas, o gengibre, as cerejas, o melado, a geleira de laranja, as
raspas dos cítricos e as especiarias e misture em uma tigela grande. Despeje o
conhaque sobre elas, mexa, cubra com filme plástico e deixe macerar durante a
noite. No dia seguinte, pré-aqueça o forno a 140 ° C . Unte levemente uma forma
redonda de 23 cm de diâmetro e 7,5 cm de profundidade, forre a lateral e o
fundo com papel manteiga, e reserve. Espalhe as nozes inteiras em uma assadeira
e asse por 10 minutos no forno, agitando uma vez e observando para que elas não
queimem. Deixe esfriar um pouco, pique e reserve. Peneire a farinha e o sal em
uma tigela. Em uma batedeira, bata a manteiga e o açúcar por pelo menos 5
minutos até ficarem mais pálidos e fofos. Adicione as amêndoas moídas e
adicione gradualmente os ovos, misturando bem entre cada adição. junte a
farinha com uma colher de pau e, finalmente, junte todas as frutas (e o líquido
delas) e nozes trituradas.Asse a massa
na grade mais baixa do forno por cerca de 2 ¾ - 3 horas. Comece a verificar
depois de 2 horas e meia: se um espeto inserido no centro sair limpo, está
pronto. Retire do forno e deixe esfriar na forma. Quando frio, fure todo o bolo
com um palito e regue uniformemente com as 3 colheres de sopa de conhaque.
Obs.: se quiser guardar, ao estilo inglês, enrole em pergaminho e deixe
amadurecer por uma semana ou até 3 meses. Para manter bem, a cada duas semanas,
desembrulhe e alimente-o com 1 colher de sopa de brandy. Decore a gosto com frutas e castanhas.
Classic
Victoria Sponge Cake
Para o
bolo
225g
de manteiga sem sal, amolecida, e mais para as formas
225g
de farinha de trigo
1
colher de chá de fermento
4 ovos
levemente batidos
1
colher de chá de extrato de baunilha (ou sementes de 1 vagem de baunilha)
225g
de açúcar refinado
Para o
recheio
220ml
ou chantilly batido
8 colheres
de sopa de geleia de framboesa (ou morango)
Açúcar
de confeiteiro a pó
Preparo:
Pré-aqueça o forno a 190⁰C. Unte as duas formas redondas de20 cm e forre as
bases com papel manteiga. Peneire a farinha e o fermento na tigela. Adicione os
ovos, baunilha, açúcar e manteiga.Misture tudo até ficar um creme homogêneo. Divida a massa entre as
formas e alise as superfícies. Asse no forno pré-aquecido por 25-30 minutos, ou
até que um palito saia limpo. Deixe os bolos nas formas por alguns minutos e,
em seguida, ligue para uma grade para esfriar. Deixe até esfriarem por
completo. Quando estiver pronto para servir, selecione o bolo mais bonito para
o topo e coloque o outro em um prato de servir, espalhe a geleia e cubra com o
chantily, cubra com o outro bolo. Polvilhe com açúcar de confeiteiro e sirva.