domingo, 28 de novembro de 2010

Pandoro di Verona: das terras de Romeu e Julieta para encantar o seu natal

Hoje amanheci para a poesia...
Encontrei este pequeno  poema e antes de você o ler, ligue o audio deste vídeo...


Vem gentil noite, vem suave e escura noite, vem e trás meu Romeu…E quando eu morrer leva-o e o transforme em pequenas estrelas, pois assim ele tornar-a o céu mais bonito, para que todo mundo se apaixone pela noite e não venere o brilhante sol...
E a lembrança do amor profundo de Romeu e Julieta acaba me levando a desvendar outra história, também vivida em Verona, e que trouxe ao mundo algo para as pessoas se deliciarem na época natalina: o Pandoro.

Verona, Itália



O nome do Pan d'Oro ("pão de ouro") vem da cor do ouro amarelo intenso que o bolo possui. Suas origens, porém, são incertas. Os historiadores têm tentado por um longo tempo entender de onde esse bolo veio e as teorias são ainda conflitantes.
Durante a Idade Média, o pão branco era consumido apenas pelos ricos, enquanto as pessoas comuns só podiam comer pão preto e, muitas vezes, nem isso. Pães doces eram reservados para a nobreza. Os pães enriquecidos com ovos, manteiga e açúcar ou mel eram servidos nos palácios e ficaram conhecidos como "pão real" ou "pão de ouro".
As sobremesas consumidas no século XVII foram descritas no livro da Irmã Celeste Galilei, Cartas ao Pai, publicado por La Rosa de Turim, e que incluíam "pão real" feito de farinha, açúcar, manteiga e ovos. No entanto, o pão já era conhecido e apreciado na Roma antiga de Plínio, o Velho, no século primeiro. Esse pão foi feito com "a melhor da farinha combinada com ovos, manteiga e óleo." Virgílio e Tito Lívio mencionado a preparação sob o nome Libum. 
Alguns especialistas acreditam que o Pandoro nasceu na República de Veneza no século XVI, quando os bolos em forma de cone, cobertos com folhas de ouro e chamados  "Pan de Oro" eram servidas nas mesas dos ricos.

Folhas de ouro comestível
Segundo outros pesquisadores, a do pandoro vem de um bolo de idade Média, em forma de estrela que os habitantes de Verona comiam no Natal: o "Nadalin". No entanto, a teoria mais confiável para o nascimento do Pandoro teria uma ligação com a Casa Real da família Habsburgo, na Àustria: no século XVIII a XIX as técnicas de preparação do "pane di Viena" já eram conhecidos, e essas técnicas também estão na base da preparação do Pandoro.
A produção do Pandoro, em Verona melhora ao longo do século XIX até o final do mesmo. Este bolo foi a expressão mais típica da produção de confeitaria de Verona e hoje é famoso em toda a Itália como um dos bolos tradicionais de Natal. O Pandoro ainda mantém a forma de estrela do velho "Nadalin" e sua estrutura de cone truncado com bordas grandes formando a forma típica estrela de oito pontas.
Há aqueles que vêem o brioche francês como o ancestral do Pandoro e aqueles que o consideram como um derivado da arte vienense de pastelaria, mesmo que seja essa uma derivação francesa.


A primeira citação de uma sobremesa claramente identificada como Pandoro, data do século 18, e a sobremesa figurava na cozinha da aristocracia veneziana. 
Veneza era o principal mercado de especiarias até o século 18, bem como para comércio do açúcar, substituto do mel em bolos e pães europeus, feito de massa levedada. E foi em Verona, nas proximidades de Veneza, que a fórmula para fazer pandoro foi desenvolvida e aperfeiçoada, um processo que exigiu um século.


A história moderna deste pão/sobremesa começou em Verona, em 30 de outubro de 1894, quando Domenico Melegatti obteve a patente para um processo a ser aplicado na produção industrial Pandoro.
Em 1894, quando entrou para a história pandoro de produtos de confeitaria italiana, que tinha sido uma prática tradicional em Verona para pasteleiros para ir a Viena para aprender seu ofício. Até algumas décadas atrás, as lojas mais antigas de pastelaria no centro histórico de Verona empregavam confeiteiros e padeiros austríacos. E por isso os Veroneses vão para Viena, para aprender as técnicas de confeitaria por lá.


Pandoro di Verona

650 grs de farinha de trigo 250 g de manteiga
200 g de açúcar
7 gemas
1 ovo inteiro
30 g de fermento fresco (ou use 10 grs de fermento biológico seco)
½ copo de creme de leite fresco
raspas de 1 limão
um pouquinho de baunilha(não usei baunilha, coloquei 1 colh de sopa de cointreau)
50 grs de açúcar de confeiteiro

Colocar num recipiente 75 grs de farinha com 10 grs de açúcar, 1 gema e o fermento, mexer para unir todos os ingredientes. Se a massa fermentar muito juntar um pouco de água morna ( minha massa ficou muito seca, juntei 50ml de água morna). Amasse bem os ingredientes e coloque a mescla num local morno,entre 18-20°C,(seu forno ou microondas) para levedar por cerca de 2 horas. Depois unir a massa levedada, 160 grs de farinha, 25 grs de manteiga amolecida, 90 grs de açúcar e 3 gemas. Misture com perfeição os ingredientes e deixe a massa levedar por mais 2 horas (a massa parece seca, mas depois ficará super macia). Depois uma mais 375 grs de farinha, 40 grs de manteiga(sempre amolecida), 75 grs de açúcar, 1 ovo e 3 gemas. Trabalhe de novamente a massa com delicadeza e deixe repousar mais 2 horas.


Coloque a massa sobre uma superfície enfarinhada e sove bem, abra um buraco no centro incorpore o creme de leite fresco, as raspas de limão e a pitada de baunilha(a massa fica molenga, trabalhe bem, sovei cerca de 10 minutos e juntei pouquíssima farinha, ela foi tomando consistência e juntei só 2 punhadinhos de farinha). Pese a massa e para cada kg de massa use 150 grs de manteiga. Com um rolo de macarrão estire a massa, num quadrado, coloque no centro os pedaços de manteiga não muito duros. Espalhe a manteiga sobre a massa, em seguida com o rolo estique a massa(achei mais fácil dobrar a massa ao meio, formando um sanduíche massa manteiga massa) e dobre em 3 e estire e dobre em 3, novamente. Deixe descansar cerca de 30 minutos. Após esse período repita o processo estica dobra em 3, outra vez (totalizando 4 dobras em 3). Deixe repousar mais 30 minutos. Durante isso unte 2 moldes altos, sem furo central e polvilhe com o restante do açúcar.(usei um de vidro canelado e uma forma de bavaroise) Coloque a massa sobre a superfície de trabalho, e sove a mão durante alguns minutos, polvilhando farinha se necessário, use o mínimo possível. Faça duas bolas e coloque-as nas formas já untadas, encha só metade da capacidade. Colocar para crescer num forno quentinho ou microondas, e esperar que a massa dobre de volume.

Coloque as formas no forno pré aquecido a 190°C por cerca de 40 minutos.A metade da cocção, abaixe o forno para que o pandoro cozinhe por inteiro(como meu forno já estava no mínimo eu deixei entreaberto e assou em exatos 41 minutos). Quando cozido (teste do palito), tirar do forno, desenformar e esperar esfriar. Polvilhe açúcar de confeiteiro.

Sugestões para servir e enfeitar o Pandoro
Sirva pandoro com zabaione, um creme italiano, ou com molho de chocolate, chantilly, ou até mesmo sorvetes. para criar um efeito festivo de arvore de natal corte o pandoro em fatias grossas horizontais e empilhe-os em  ãngulos, para dara  impressão dos ramos de um pinheiro.

sábado, 27 de novembro de 2010

Panforte de Siena: Uma delícia não só para o Natal

O Panforte é um bolo de frutas com alguns tipos de nozes, típico do Natal. Tem sua origem em Siena, na Itália, onde também atende pelo nome de Bolo de Siena. Apesar de ter algumas semelhanças com o bolo de frutas britânico, que também contém frutas, nozes e especiarias, sua textura e sabor são muito diferentes.
O Panforte é tradicionalmente assado em assadeira redonda revestida com papel de hóstias, para torná-lo mais fácil de ser removido - fato que indica uma ligação religiosa na produção do bolo. E a história mostra que, de fato, há, pois freiras e monges foram os primeiros a preparar esta delícia.


Certamente, para a maioria de nós, o papel de hóstias pode não ser muito  fácil de se achar. Então, para substituí-lo, existe o papel de arroz (tipo de papel comestível) vendido em muitas casas para festas. Embora este bolo não seja feito apenas durante a época de Natal, sua popularidade fez dele um bolo favorito de muitos, não só  no Natal mas no ano todo
O Panforte é uma especialidade de Siena, remonta ao século XIII. Os primeiros documentos encontrado entre os papéis históricos de Siena são testemunhos datados de 7 de fevereiro de 1205, escritos em papel pergaminho e conservado nos arquivos do Estado de Siena, encontrados no segundo semestre de 1800 nos arquivos do Hospital de Siena. Nos documentos o bolo teria aparecido na propriedade do Castelo de Montisi, que pertencia à família Cacciaconti. Está escrito que, naquela data, o servo e moradores do mosteiro de Montecellesi (hoje Montecelso) foram obrigados a levar as freiras um bom número de Melatos Panes et pepatos (pão com pimenta e mel), como uma forma de imposto. A ideia de acrescentar temperos à receita original de "Pan Melato" foi dito ter sido de Nicolò dé Salimbeni, também chamado de "Muscia".
Nos arquivos de Génova, foi registrado que panforte foi um dos doces mais famosos da Itália. O sucesso do panforte logo cruzou as fronteiras do Siena e outros documentos trazem registro de sua presença nos "menus" da festa de ricos homens nobres em todas as partes da Itália.
Conta uma lenda que o Panforte foi inventado no ano de 1200 por uma noviça chamada irmã Leta, que descobriu um monte de açúcar, especiarias e amêndoas no fundo do armário da especiaria - os ratos tinham mastigado os sacos e feito muitos buracos; e as ofertas preciosas feitas pelos peregrinos em retorno da Terra Santa foram irremediavelmente misturadas.


Sua primeira ideia foi reunir a bagunça em uma bolsa e enterrá-la, mas este tipo ação seria entendido como pecado. Então ela ficou ali, acariciando-lhe o queixo e pensando no que fazer, quando um gato preto entrou na cozinha e veio o pensamento dela: Coloque tudo no fogo e faça algo saboroso. 
Assim ela fez: caramelizou o açúcar, adicionou especiarias e em seguida adicionou as amêndoas restantes, e colocou a mistura no forno para deixá-lo definido. Cheirava delicioso e ela estava se sentindo muito satisfeita com ela, quando o gato, que tinha foi nela esfregar-se e ronronando, disse-lhe: "Você não vai prová-lo?".
Gatos não falam, mas ela achou que o Diabo poderia fazer aquilo. Então jogou o conteúdo da panela em cima dele e ele mudou para a sua forma verdadeira, desaparecendo numa nuvem de fumaça com cheiro desagradável.


Naquele instante a irmã Berta, a madre Superior, chegou à cozinha onde o aroma celestial da sobremesa tinha superado o mau cheiro do diabo. Curiosa para saber o que era poderoso o suficiente para vencer o Maligno, Berta provou o que sobrou do panforte; e se deliciou.
Outros dizem que o panforteé ainda mais antigo: Dizem que um órfão que acompanhou o cometa que levava até o lugar onde o Menino Jesus nasceu tentou dar-lhe um pedaço de pão que trazia no bolso, São José pegou o pão, deu migalhas para um dos pássaros cujo ninho estava na parte de cima dos caibros daquele lugar e devolveu o restante para o menino, cujos olhos se encheram de lágrimas ao pensar que seu presente era muito pobre. Então uma voz lhe agradeceu, e quando ele voltou para casa, para o barraco que dividia com sua avó, ele encontrou seus pais, sua mãe radiante e o pai de armadura reluzente, tendo uma enfeitada para festa, com pratos suntuosos em torno de uma requintada massa feita com amêndoas, mel e frutas cristalizadas.
Não importa como em qual das lendas você vai acreditar. O fato é que há algo mágico sobre o panforte. Ao longo dos séculos, ocorreram muitas variações, ingredientes foram acrescidos, ou retirados, mas ele sempre esteve presente.
Em 1820 a padaria Italiana Parenti introduziu uma variedade com chocolate que foi imensamente popular por um tempo, e que ainda é vendido. Mas agora as variedades mais populares são panforte Nero e panforte Margherita.

Panforte Nero
Panforte Margherita
Panforte Nero é, como o próprio nome indica, escuro e tem um sabor amargo conferido pelas amêndoas amargas. Panforte Margherita é de cor mais clara e muito mais delicada, com um pouquinho de açúcar de confeiteiro. Enrico Righi desenvolveu a receita em 1879 e lhe ofereceu a primeira feitura para a Rainha Margerita, que veio para ver o Palio (tradicional corrida à cavalo sem cela).
Abaixo a receita dos dois tipos: A do nero panforte são de Il Re Dei Cuochi, publicado anonimamente por Salani,em 1885, enquanto a do panforte Margherita veio de uma coleção de receitas tradicionais da Toscana.


Panforte Nero
2 1 / 2 gramas de de chocolate
2 / 3 de xícara de açúcar
1 xícara menos 2 colheres de sopa de amêndoas sem casca
1 / 2 xícara de mel
4 amêndoas sem casca amarga
1 1 / 2 xícaras (180 g) de farinha de duas onças de cidra cristalizada
Um punhado de pinhões
1 / 2 colher de chá. canela em pó
Cerca de quatro onças de cidra cristalizadas
A casca ralada de um limão,
1 / 4 colher de chá de cravo de
1 / 4 colher de chá de pimenta
 Margherita panforte:
1 1 / 2 xícaras (180 g) de farinha
1 3 / 4 xícaras de açúcar de confeiteiro
3 / 4 xícara de mel
1 xícara menos 2 colheres de sopa de amêndoas
1 3 / 4 xícara de amêndoas sem casca
8 onças cascas de frutas cristalizadas (laranja e tal)
1 / 2 colher de chá de canela em pó
Uma pitada de pimenta da Jamaica
1 colher de chá de semente de coentro moído
1 colher de sopa de açúcar de confeiteiro

Para forrar, 15 folhas de hóstia  

Preparo: Depois de ter reunido os ingredientes, faça o seguinte: Cozer as castanhas e esfregue-as para soltar a casca levemente. Se você está fazendo nero panforte, amasse metade das amêndoas com a amêndoa amarga, pique o resto com os pinhões, e, em seguida,juntar os dois, se você está fazendo Margherita panforte pique as nozes em conjunto. Corte as frutas cristalizadas e misture com as especiarias e as nozes e misture com a farinha. Forre uma panela de 9 polegadas de diâmetro prato fundo com folhas de hóstia para  massa nao grudar. Usando uma panela de cobre ou de fundo grosso e com uma chama muito baixa, derreta o açúcar, mel, chocolate (para o Nero panforte) com um pouco de água para ferver. Mexa continuamente com uma colher de pau, tomando cuidado para que a mistura não grude. Quando a calda atingir o estágio de bola dura, retire a panela do fogão e acrescente a mistura de frutas e nozes. Despeje a massa resultante na assadeira forrada e va alisando com uma faca umedecida. Asse em forno forte cerca de meia hora. O panforte não deve queimar. Quando o panforte de pronto, retire a assadeira do forno e cortar o excesso de hostias ao seu redor. Se você está fazendo Margherita panforte, polvilhe açúcar de confeiteiro sobre ela. Sirva frio.



Panforte á Brasileira

Folhas de waffer (tipo hóstia)
- 400 g de frutas cristalizadas picadas miúdo
- 100 g de farinha de trigo
- 1 colher (sopa) de cacau ou chocolate em pó
- 1 colher (rasa de chá) de cravo em pó
- 1 colher (rasa de chá) de canela em pó
- 200 g de avelãs sem pele, torradas e picadas
- 200 g de amêndoas sem pele, torradas e laminadas
- 200 g de açúcar cristal
- 250 g de mel
Modo de Preparo
Numa forma retangular (29 cm x 21 cm), forre com papel-manteiga
deixando sobrar nas bordas.
Forre o fundo e a lateral com folhas de waffer (tipo hóstia).

Reserve.Numa tigela, misture 400 g de frutas cristalizadas picadas miúdo, 100 g de farinha de trigo, 1 colher (sopa) de cacau ou chocolate em pó, 1 colher (rasa de chá) de cravo em pó, 1 colher (rasa de chá) de canela em pó, 200 g de avelãs sem pele, torradas e picadas, e 200 g de amêndoas sem pele, torradas e laminadas. Reserve. Numa panela, fora do fogo, coloque 200 g de açúcar cristal e 250 ml de mel. Misture bem. Ligue o fogo e, com o auxílio de uma colher, vá mexendo (não mexa redondo, mexa reto tipo norte/sul leste/oeste) até ficar em ponto de bala mole (de 3 a 5 min). Acrescente a mistura feita com as frutas cristalizadas, mexendo sempre no sentido reto, até incorporar todos os ingredientes. Depois de cerca de 5 min a mistura começa a soltar da panela. Desligue o fogo e jogue a mistura na forma reservada, nivelando com o auxílio de uma colher ou saco plástico (untado). Cubra com outra folha de waffer (tipo hóstia). Aperte, com cuidado para não quebrar a folha, para que fique bem nivelado e leve ao forno a 125ºC por mais ou menos 20 min ou até dourar. Retire do forno e deixe esfriar na forma. Tire o papel-manteiga e corte em pedaços. Sirva Frio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

The Eggnog: A gemada de natal e seu carácter social

A gemada, conhecida internacionalmente como Eggnog é uma tradição natalina interessante. Se você ama as variedades de bebidas que são um caso a parte da temporada de Natal, você deve estar se perguntando sobre a história da gemada no natal.

Este é um assunto até engrassado proque aqui no nordeste brasileiro, a gemada não pe servida nesta época do ano, mas sim quando tem alguém que esta fraco ou com alguma doença que precisa ganahr forças, então vem alguém faz uma gemada, e como o povo fala por aqui: - Gemada levanta até defunto! Eu, particularmente gosto de gemada, mas  conheo  dezenas de pessoas que a detestam.
Há muitas bebidas associadas com a temporada natalina. Em Dezembro de muitos de nós gosta, por exemplo, de tomar de cidra de maçã quente, chocolate quente, e, claro, uma boa gemada.

Muitos acreditam que a gemada é uma tradição que foi trazida para a América pelos europeus. Isso é parcialmente verdadeiro. A gemada está relacionada a uma bebida preparada com leite e vinho que tinha sido inventado há muito tempo no "Velho Mundo". No entanto, na América uma nova reviravolta foi colocado sobre o tema e o rum foi  usado no lugar de vinho. Na América colonial, o rum era comumente chamado de "grog", assim o nome eggnog (gemada) provavelmente deriva deste termo descritivo para esta bebida, "ovo-e-grog", o que corrompeu a egg'n'grog e surgiu daí a eggnog, a gemada. Pelo menos esta é uma versão.
Outros estudiosos afirmam teria que "nog" de gemada vem da palavra "noggin". A noggin era uma pequena caneca esculpida em madeira. Era utilizada para servir bebidas  em. Acredita-se que gemada começou como uma mistura do "Jerez" espanhol com leite. Os Inglêses  chamam essa mistura "Dry posset".

A verdadeira história pode ser uma mistura destas duas versoés, ou seja: a gemada seria  originalmente:  "ovo grogue na caneca". Este foi um termo que necessário o encurtamento se alguma vez houve um. 

Com suas raízes europeias e a disponibilidade dos ingredientes, gemada logo se tornou uma bebida popular em todo o inverno na América Colonial. Ele tinha muito a recomendá-lo, ele era rico(forte), picante e alcoólico.
Em 1820 Pierce Egan,  escreveu um livro chamado "A Vida de Londres: ou Dias e Noites de Jerry Hawthorne e seu elegante amigo Corinthina Tom". Para divulgar seu trabalho Sr. Egan fez uma variação de gemada ele chamou de "Tom e Jerry". Nela ele acrescentava  1 / 2 onça do conhaque da receita básica (fortalecendo consideravelmente e aumentando ainda mais a sua opularidade).
Eggnog, em 1800 foi quase sempre feito em grandes quantidades e quase sempre usado como uma bebida social. Era servida geralmente em épocas de feriado. O caráter social e a popularidade da gemada ainda permanece. É difícil imaginar um Natal sem um copo de gemada para apimentar o clima e dar mais alegria para a festividade.
Fonte de gemada - boa idéa para decoração da mesa natalina
Mas o Natal não era a unica época em que gemada era popular. Em Baltimore era uma tradição para os jovens de convidar todos os seus amigos no Dia de Ano Novo. Em cada uma das muitas casas, os companheiros recebiam um copo de gemada - e assim eles foram se embriagavam rsrsrsrsrsrrs.

George Washington, primeiro presidente dos Estados unidos foi um grande fã de gemada e criou sua própria receita, que incluiu uísque de centeio,  rum e jerez. A gemada dele  tinha fama de ser uma bebida dura que só os mais corajosos estariam dispostos a provar.
Quando você experimentar alguma das receitas abaixo, lembre-se que, como muitas outras de grandes tradições, há história e vida por trás dessa poção espumosa. 

A Christmas Eggnog

12 gemas de ovos
5 cravos da india
4 xícaras de leite
4 xícaras de creme
3 copos de rum
1-3/4 xícaras de açúcar
2-1/2 colheres de chá de essência de baunilha
1 colher de chá de canela em pó
3 / 4 colher de chá de noz-moscada moída

Em uma panela em fogo baixo, misture o leite, canela, cravo e meia colher de chá de essência de baunilha. Continue mexendo enquanto a mistura se aquece, e retire do fogo antes do ponto de ebulição. Em uma tigela, misture o açúcar com todas as gemas. Certifique-se de bate-los bem para que fiquem leves e macias. Gentilmente despeje a mistura de leite, continuando a bater. Transfira a mistura em sua volta panela e leve ao fogo médio, continuando a mexer até que a mistura começe a assemelhar-se a umcreme. Nunca deixe a mistura atingir o ponto de ebulição. Despeje a mistura e tensão em um jarro, certificando-se de remover os cravos.  Deixe o  jarro na geladeira por uma hora ou duas. Misture delicadamente o creme de leite, rum, baunilha restante e noz moscada. Coloque novamente na geladeira durante a noite. Sirva em taças com um pouco de pó de canela, noz moscada ou de cacau.


A Traditional Eggnog

12 ovos, separados
6 copos de leite
2 copos de creme de leite fresco)
2 copos de bourbon
1-1/2 xícaras de açúcar
3 / 4 xícara de conhaque
2 colheres de chá de noz-moscada em pó

Em uma batedeira, bata as gemas com o açúcar durante aproximadamente 10 minutos. Lentamente, adicione o uísque e conhaque, aos poucos. Quando bourbon e aguardente foram adicionados, deixe a mistura esfriar na geladeira or cerca de 6 horas. 30 minutos antes de seus convidados chegarem, misture o leite na mistura de gema. Misturar 1-1/2 colheres de chá de noz-moscada moída. Em uma tigela, bata o creme de leite na batedeira em velocidade alta até formar um creme. Em outra tigela, bata as claras até formar picos firmes. Misture delicadamente a mistura de clara de ovo à mistura de gema de ovo. Misture delicadamente o creme de leite na mistura do ovo. Sirva gemada com uma pitada de noz-moscada moída.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Christmas Ham ou Yule Ham: A origem do Pernil de Natal e suas Influências mitológicas

Quando criança, eu adorava passar o dia assistindo desenhos animados. E quando surgia um daqueles desenhos com personagens da Antiguidade, ou da Idade Média, eu ficava me imaginando comendo aqueles 'porcos' assados, apresentados com uma maçã na boca, geralmente, servidos em castelos. Aqueles 'porcos' assados com maçãs vermelhas brilhantes  sempre me pareceram apetitosos. Mais tarde descobri que aquele tipo de porco que via nos desenhos era, na verdade, javali.

Digo isso porque, hoje, eu sem querer, passei pelo desenho do Asterix, no YouTube, e assisti a um episódio onde o viking atrapalhado corria atrás de um javali, seu prato preferido. O javali, parente dos porcos, tem uma carne suculenta como tal.






 Daí, lembrei-me de outra delicia preparada no Natal que foi adotada a partir das antigas tradições pagãs nórdicas: o pernil / o presunto de natal.


Se você estiver familiarizado com a história do cristianismo, ou pelo menos com uma versão confiável dela, você deve saber que para converter as pessoas do paganismo para o cristianismo, as autoridades da Igreja Cristã acharam conveniente assimilar os antigos costumes pagãos com as novas tradições cristãs. Por exemplo, vamos lembrar que o canto de músicas natalinas não era originalmente parte das tradições cristãs, pois eram malvistos por se tratar de um rito oriundo de festas pagãs. Na verdade, hinos à serviço da igreja foram proibidos até que em 1223 São Francisco de Assis apresentou hinos da Natividade durante Missa do Galo, e essa prática pegou.

Em seu livro "Deuses e Mitos do Norte da Europa", a Dra. Hilda Roderick Ellis Davidson, antiquarista e acadêmica inglesa, afirma que até o século XII, o cristianismo foi bem enraizado na Europa, embora lendas e práticas do paganismo também tenham sobrevivido. O Natal comemorado em 25 de dezembro, as festas no meio do inverno e a prática de servir presunto transcendeu a assimilação das religiões antigas.

Sabe-se, que o pernil de javali já era usado pelos povos nórdicos e germânicos como um tributo a Freyr, deus escandinavo associado as colheita e a fertilidade, que tinha o javali como um de seus animais de representação.

Freyr

[Na antiga tradição nórdica ]  era um sacrifício realizado com o intuito de implorar a Freyr para ele lhes  mostrar dádivas  para um novo ano. ....A cabeça de javali com maçã na boca, era levada para o salão de banquetes em um prato de ouro ou de prata ao som de trombetas e as canções dos trovadores (Berger, Pamela (1985). The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint. Boston: Beacon Press. pp. 105-112.)

A literatura traz algumas citações onde folcloristas e historiadores[1] constatam que o presunto de Natal teria, na verdade, origens na Inglaterra:

[Essa tradição [que] foi iniciada com toda probabilidade na Ilha da Grã-Bretanha pelos anglo-saxões, embora o nosso conhecimento venha substancialmente de tempos medievais.... (Berger, Pamela (1985). The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint. Boston: Beacon Press. pp. 105-112.)

Em " The Goddess Obscured: Transformation of the Grain Protectress from Goddess to Saint  - A Deusa Obscura: Transformação do Grande Protetora de Deusa para Santa", de Pamela Berger, vai mais longe quando afirma que Santo Estevão pode ter herdado o simbolismo dos cavalos e a tradição do presunto de Natal de velhas práticas pagã. 

Santo Estevão foi primeiro mártir da Igreja Cristã. Foi apedrejado até a morte depois de ter sido considerado culpado por blasfêmia pelo Sinédrio (Conselho Judaico) e São Paulo aparece com destaque na sua lapidação. Paulo, um judeu antes de sua conversão ao cristianismo, assistiu ao apedrejamento com a aprovação - como está descrito em Atos 22:20.

Santo Estevão  - relíquia bizantina.
O dia de Santo Estêvão é 26 de dezembro (27 de dezembro no Cristianismo oriental). Na arte cristã ocidental, ele é freqüentemente representado sendo apedrejado por uma multidão, ou como um jovem carregando três pedras e uma palma. Na arte sueca Estêvão, com o nome de Stephen, é mostrado trazendo uma cabeça de javali para um banquete de Yule, comemoração realizada desde os tempos de Freyr e muito parecida com as festas de Natal - este elemento extra-canônico sobreviveu da religião pagã.  

Outra referência aos tempos do paganismo vêm dos antigos romanos que também comiam javalis durante a Saturnália, em honra do Adônis, o deus que foi morto por um javali e cujo aniversário supõe que seja em 25 de dezembro.

Adônis e Vênus
O javali tem significado tão importante para as celebrações natalinas que em 1521 foi criada a musica A cabeça do javali de Natal, cantada na Inglaterra nos jantares de Natal, enquanto a cabeça de um javali era mostrada em um prato.


O costume ainda é observado, em cada Natal do Queen's College, Oxford. – tradição remanescente da ocupação romana da Grã-Bretanha. Apreciem:


Com isso a gente fica imaginando que realmente nada se perde no tempo, e que tudo pode ser reaproveitado se tiver interesse para isso. Quem tiver interesse sobre os personagens mitológicos apresentados no texto, depois da receita de pernil para o natal, seguem algumas linhas sobre eles. 


Pernil de Natal

1 pernil desossado (cerca de 3 kg)
200 g de manteiga
meia colher (chá) de pimenta-do-reino
meia colher (chá) de louro em pó
5 dentes de alho amassados
1 xícara (chá) de suco de limão
4 tabletes de Caldo de Carne
Molho
4 cebolas fatiadas
3 colheres (sopa) de aceto balsâmico
2 colheres (sopa) de açúcar
fruta fresca para decorar

Preparo
Limpe o pernil, tirando a gordura aparente. Faça furos profundos com um garfo. Em uma tigela, misture a manteiga com a pimenta-do-reino, o louro e o alho. . Besunte o pernil com a manteiga temperada. Coloque em uma assadeira grande e despeje o suco de limão e o Caldo de carne dissolvido em duas xícaras (chá) de água fervente. Deixe-o tomar gosto por cerca de 12 horas, virando-o na metade do tempo. Leve ao forno médio-alto (200ºC), preaquecido, por cerca de 2 horas. Vire-o na metade do tempo. Se necessário, despeje mais água no fundo da assadeira. Molho: Retire a carne da assadeira. Coloque a assadeira sobre a chama do fogão, despeje uma xícara (chá) de água, as cebolas, o aceto balsâmico e o açúcar. Mexa, raspando o fundo da assadeira delicadamente. Ferva por cerca de 5 minutos ou até as cebolas estarem macias e engrossar o molho. Sirva o pernil decorado com as frutas e o molho em uma molheira. Dica: - A carne de porco deve ser sempre bem assada. Para saber se já está no ponto certo, fure-o com um espeto ou uma faca com ponta na parte mais carnuda do assado. Se a carne estiver no ponto, deverá verter um suco claro, sem nenhum tom rosado.

Para os curiosos

Frey, Frei, Freyr ou Freir é filho de Njord e irmão de Freya, e está casado com a gigante Gerda. É um deus representado como belo e forte que comanda o tempo e a prosperidade, a fertilidade, a alegria e a paz. É o deus chefe da agricultura. É o patrono da fertilidade, o soberano dum país chamado Álflheimr, reino dos elfos da luz (ljósálfar), que são os responsáveis pelo crescimento da vegetação. O Skirnismál (“A Balada de Skirnir”) nos informa que Frey é filho de Njörðr (Njord), o deus da fertilidade. É portanto um deus dos Vanir. Seu cavalo salta qualquer obstáculo e a sua espada mágica, forjada por anões, move-se sozinha nos ares desferindo golpes mortais, mesmo se for perdida em combate. É senhor de um javali de ouro chamado Gulinbursti, criação dos anões Brokk e Sindri, que conduz um carro como se fosse puxado por cavalos, e cujo brilho reluz na noite. Tem também um navio, Skidbladnir (Skidbladnir), que é tão grande que nele cabem todos os deuses, mas pode ser dobrado e guardado na algibeira. É uma das mais antigas divindades germânicas junto com Freyja e Njörðr, e seu nome significa “senhor". Apesar de ser um deus pacífico, Frey está destinado a lutar contra Surtur na batalha de Ragnarok. Nesta luta não poderá utilizar a sua espada mágica, porque a deu ao seu escudeiro, Skirnir.

Adônis, nas mitologias fenícia e grega, era um jovem de grande beleza que nasceu das relações incestuosas que o rei Cíniras de Chipre manteve com a sua filha Mirra. Adônis passou a despertar o amor de Perséfone e Afrodite. Mais tarde as duas deusas passaram a disputar a companhia do menino, e tiveram que submeter-se à sentença de Zeus. Este estipulou que ele passaria um terço do ano com cada uma delas, mas Adônis, que preferia Afrodite, permanecia com ela também o terço restante. Nasce desse mito a ideia do ciclo anual da vegetação, com a semente que permanece sob a terra por quatro meses.

Vênus e Adônis
Conta Thomas Bulfinch em O LIVRO DE OURO DA MITOLOGIA a lenda de Vênus e Adônis.
Brincando, certo dia, com seu filho Cupido Vênus feriu o peito em uma de suas setas. (Se alguém fosse ferido pela flecha de Cupido, ou Eros ou Amor, apaixonava-se pela primeira pessoa que visse).
Afastou a criança mas a ferida era mais profunda do que pensara. Antes de curá-la, Vênus viu Adônis, e apaixonou-se por ele. Já não se interessava por seus lugares favoritos: Pafos, Cnidos e Amatos, ricos em metais. Afastava-se até mesmo do céu, pois Adônis lhe era mais caro. Seguiu-o, fez-lhe companhia.
Ela, que gostava de se reclinar à sombra, sem outras preocupações a não ser a de cultivar seu encantos, anda pelos bosques e pelos montes, vestida como a caçadora Diana; chama seus cães e caça lebres e cervos, ou outros animais fáceis de caçar, abstendo-se, porém, de perseguir os lobos e os ursos, rescendendo ao sangue dos rebanhos. Também recomenda a Adônis que tenha cuidado com tão perigosos animais.
-Sê bravo com os tímidos. A coragem contra os corajosos não é segura. Evita expor-te ao perigo e ameaçar minha felicidade. Não ataques os animais que a natureza armou. Não aprecio tua glória ao ponto de consentir que a conquistes expondo-te assim. Tua juventude e a beleza que encanta Vênus não enternecerão os corações dos leões e dos rudes javalis. Pensa em sua terríveis garras e em sua força prodigiosa! Odeio toda a raça deles. Queres saber porque?
E, então, contou a história de Atalanta e Hipómenes, que ela transformara em leões, para castigo da ingratidão que lhe fizeram.
Tendo feito essa advertência, Vênus subiu ao seu carro, puxado por cisnes, e partiu através dos ares. Adônis, porém, era demasiadamente altivo para seguir tais conselhos. Os cães haviam expulsado um javali de seu covil e o jovem lançou seu dardo, ferindo o animal de lado. A fera arrancou o dardo com os dentes e investiu contra Adônis, que virou as costas e correu; o javali, porém, alcançou-o, cravou-lhe os dentes no flanco e deixou-o moribundo na planície.
Vênus , em seu carro puxado por cisnes, ainda não chegara a Chipre, quando ouviu, cortando o ar, os gemidos de seu amado, e fez voltar para a terra os corcéis de brancas asas. Quando se aproximou e viu, do alto, o corpo sem vida de Adônis, coberto de sangue, desceu e curvando-se sobre ele, esmurrou o peito e arrancou os cabelos. Acusando as Parcas, exclamou:
- Sua ação, porém, constituiu um triunfo parcial. A memória de meu sofrimento perdurará e o espetáculo de tua morte e de tuas lamentações, meu Adônis, será anualmente renovado. Teu sangue será mudado numa flor; este consolo ninguém pode negar-me.
Assim falando, espalhou néctar sobre o sangue e, ao se misturarem os dois líquidos, levantaram-se bolhas, como numa lagoa quando cai a chuva, e, no espaço de uma hora, nasceu uma flor cor-de-sangue, como a da romã. Uma flor de vida curta, porém. Dizem que o vento lhe abre os botões e depois arranca e dispersa as pétalas; assim é chamada de anêmona, ou flor-do-vento, pois o vento é a causa tanto de seu nascimento como de sua morte.
Milton faz alusão ao episódio de Vênus e Adônis, em "Comus":
Entre moitas de rosas e jacintos,
Muitas vezes repousa o jovem Adônis
Amortecida a dor, e a seu lado
Jaz a triste rainha dos assírios...


[1] Spears, James E.  Folklore, Vol. 85, No. 3. (Autumn, 1974), pp. 194-198.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

The Gingerbread man: A lenda dos biscoitos de gengibre no natal.


O Natal é uma época mágica por muitos fatores: desde o nascimento do Cristo, filho do Deus Todo Poderoso até o aparecimento de lendas pagãs que giram em torno da festividade.
Desta vez eu fui  buscar  nos contos de fadas a inspiração para este post e vejamos até onde esta trilha nos levará. Assim, João e Maria chegaram na casa inteira feita de doces!

Quem nunca ouviu falar desta passagem que coma o primeiro pedaço!
Este conto sobre João e Maria  criado  no começo do século XIX pelos irmãos Grimm tem muito a ver com o natal. Por quê?
Primeiro, trata-se de era uma tradição que teve início na Alemanha que fala de construir casas de biscoito de gengibre durante o natal – fato que inspirou os autores.


No começo da idade média o gengibre, ingrediente principal dos biscoitos de gengibre, não era uma especiaria fácil de ser encontrada na Europa. Mas conforme vieram as cruzadas o contato dos europeus com o oriente aumentou e várias especiarias começaram a fazer gosto no paladar, inicialmente, do clero. Aquele não foi um período de grande desenvolvimento para as artes culinárias, a maior parte das mudanças e descobertas se deu entre as paredes dos mosteiros. Logo, foram os religiosos que tiveram inicialmente a ideia de fazer biscoitos com gengibre para celebrar as festas do inverno, e eles se basearam em tradições da Europa Pré-Católica.


A Rainha Elizabeth I, da Inglaterra, resolveu fazer certa vez para uma de suas festas de natal, homenzinhos de biscoito de gengibre com a cara dos convidados. Desde então esta tradição continua a ser realizada na Europa e na America do Norte.
No entanto os biscoitos de gengibre nasceram na Rússia por volta do século IX, quando eram chamados de "pryaniki", uma mistura de farinha, mel e suco de frutas, mas o mel constituía quase metade de todos os outros ingredientes, que quase parecia a textura de um bolo, ou de um pão (Pão de mel te lembra alguma coisa?). Mais tarde, já nos séculos XII e XIII, foram adicionadas especiarias vindas da Índia e Oriente Médio (canela, nozes, gengibre, frutas secas...). Entre os séculos XVII-XIX a receita se espalhou, e cada regiao tinha a sua maneira de assar os "pryanikis". A tradição e os segredos da culinaria eram passados de geração em geração.
Os "pryanikis" eram feitos em formato de animais para enfeitar as arvores de natal, eram feitos para pobres e ricos, como presentes, para casamentos, festas, celebrações, dias especiais e também para pessoas doentes, com o objetivos de cura, neste caso eram assados no formato de anjos.


Existe uma confusão gigantesca que mistura pão de mel e biscoitos de gengibre, sobretudo traduções mal feitas e o colocam literalmente como pães de especiarias, ou biscoitos.  Atualmente o pão de mel ou "pryanik" é um fenômeno em todo o mundo, com ou sem cobertura de chocolate e com diferentes recheios, se aperfeiçoando e se modificando de acordo com os tempos e regiões, e tornando-se cada vez mais saboroso.
Outros dizem que Pão de mel é um doce de origem européia, elaborado à base de mel, farinha de trigo, chocolate, manteiga, especiarias e ovo. Depois de prontos e frios, normalmente, são banhados em chocolate. O pão de mel surgiu quando os europeus descobriram que o pão de especiarias poderia ser coberto com chocolate derretido para prolongar o seu sabor e umidade.
Deixando um pouco  o pão de mel de lado a historia dos biscoitos de Natal remonta a 10.000 anos atrás, quando os agricultores do período Neolítico usavam pedras quentes para assar um alimento composto de cereais e misturado com água, talvez os primeiros descendentes dos biscoitos.


A origem dos biscoitos de gengibre reside nas receitas medievais europeias do. Lebkuchen (pão de gengibre) foi provavelmente o primeiro pão/bolo para ser tradicionalmente relacionado com o Natal. Esta tradição de biscoitos de natal se espalharam pela Europa facilmente, e variava  a receita de acordo com o paladar de cada civilização.
Os holandeses trouxeram consigo os primeiros biscoitos de Natal. Assim começou a arte de fazer bolinhos deliciosos. Os Cookies (biscoitos) é uma  palavra que vem da palavra holandesa Koeptje [koekje], o que significa pequeno bolo. Livros da receita do período da Renascença, porem, já traziam uma inúmeras receitas de biscoitos desse tipo. Mas esta tradição, com a revolução Industrial, foi mudando pois os biscoitos  passaram a ser produzidos em fábricas.
Atualmente é comum ver biscoitos decorados no natal, sobretudo nos filmes  norte-americanos. E as receitas de biscoito de gengibre, talvez por serem práticas e rápidas, ganharam espaço. 
A história rendeu tanto que os estudios Disney criaram o personagem Gingerbread Manr no filme Shrek o para incrementar a historia do ogro verde. Para isso os profissinais da animação se inspiraram na fábula abaixo.

Você conhece a História do BISCOITINHO DE GENGIBRE?

A primeira impressão feita da História do GENGIBREAD MAN foi em de maio de 1875.
Certa vez uma mulher estava se queixando para o marido que queria ter um filho, porém sabia que eram ambos já velhos para terem um filho. casal de idosos estava com fome. A velhinha decidiu fazer um filho de biscoito de gengibre (GENGIBREAD), em formato de boneco e colocou no forno, para assar. Quando ela abriu o forno, para tirar o biscoito, ele pulou da forma e saiu correndo pela janela aberta da cozinha.
O casal correu atrás dele na esperança de comê-lo para saciarem sua fome...
“Corram! Corram! Corram o mais rápido que puderem! Vocês não podem me pegar! Eu sou o GENGIBREAD MAN!!!”
Enquanto corria, o GENGIBREAD MAN encontrou um porco, uma vaca faminta, um cavalo que também queriam devorá-lo...
GENGIBREAD MAN falou mais uma vez: “Corram! Corram! Corram o mais rápido que puderem! Vocês não podem me pegar! Eu sou o GENGIBREAD MAN!”
Então o BISCOITO DE GENGIBRE percebeu que estava correndo em direção ao rio.  “Oh, não! O rio! Agora eles vão conseguir me pegar! Como eu vou conseguir atravessar o rio?”
Foi nesta hora que uma esperta raposa saiu de trás da árvore e se dispôs a ajudar o GENGIBREAD MAN a atravessar o rio.
O BISCOITO DE GENGIBRE pulou em seu rabo e lá se foram eles atravessando o rio.
Quando estavam quase chegando a outra margem a raposa pediu para o GENGIBREAD MAN pular no seu focinho para não afundar...
Apesar do medo de ser comido pela raposa ele pulou no focinho dela, então ela o jogou para o alto, com a intenção de agarrá-lo com a boca para matar a sua fome... e isso aconteceu.

Gingerbread man (bonequinhos de biscoito de gengibre)

3 xícaras de farinha de trigo
1 e meia colheres de chá de fermento em pó
1 colher de chá de bicarbonato de sódio
1 pitada de sal
1 colher de sopa de gengibre em pó
1 e meia colheres de chá de canela em pó
meia colher de chá de cravo em pó
6 colheres de sopa de manteiga sem sal
3 / 4 de xícara de açúcar mascavo
1 ovo grande
1 / 2 xícara de melaço
2 colheres de chá de baunilha
1 colher de chá de raspas de casca de limão (opcional)

Em uma tigela pequena, misture a farinha, o fermento, o bicarbonato, o sal, o gengibre, a canela eo cravo até ficar bem misturado. Em uma tigela grande Bata a manteiga, açúcar mascavo, ovo e em velocidade média até ficar bem misturado. Adicione o melaço, a baunilha e as raspas de limão e continue a misturar até ficar bem misturado. Aos poucos, acrescente os ingredientes secos em até misturar bem e suave. Divida a massa ao meio e enrole cada metade em plástico e deixe descansar em temperatura ambiente por pelo menos 2 horas ou até 8 horas. Coloque uma porção da massa sobre uma superfície polvilhada com farinha. Polvilhe farinha sobre a massa e rolo. Abra a massa com um rolo em uma espessura não muito fina. Corte os biscoitos com cortador de homenzinhos.  Asse por 7-10 minutos. Após assados você pode decorá-los como quiser.

PAO DE MEL

2 ovos
1 lata de leite condensado
1 xícara (chá) de mel
1 colher (sopa) de nescafé
3 colheres (sopa) de leite morno
1 colher (chá) de canela em pó
1 colher (chá) de cravo em pó
2 xícaras (chá) de farinha de trigo
1 xícara (chá) de chocolate em pó
1 colher (sopa) de fermento químico em pó
1 tablete de chocolate meio amargo

Modo de Preparo
Bata ligeiramente os ovos
Ovos
Os ovos de galinha são recursos básicos na preparação de pratos tanto na gastronomia ocidental quanto na oriental. Por ser tão importante na alimentação e também responsável pela reprodução de inúmeras espécies, criaram-se muitas lendas sobre o alimento. e misture o leite condensado, o mel, o NESCAFÉ® dissolvido no leite morno, a canela, o cravo. Acrescente a farinha, o Chocolate e o fermento. Despeje em uma fôrma retangular (26 x 38cm) untada e enfarinhada e asse em forno médio (180°C) por cerca de 25 minutos. Desenforme e cubra-o, ainda quente, com o Chocolate Meio Amargo alisando com uma espátula.