segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Bruxos de Cozinha: A Magia na sua forma gastronômica.

O dia hoje amanheceu banhado pela chuva, que insistiu em cair desde o sábado...
Isso me remeteu a procurar coisas ligadas á umidade, ao frio, aos temporais... A chuva caía e nada de eu encontrar algo que me fizesse escrever.  Foi quando me lembrei que ontem, a Baronesa do Crato de Açúcar, Sra. Célia Augusta, que me enviou um vídeo que tratava das bruxas polonesas que pediam apoio e reconhecimento ao seu governo, já que lá bruxa paga imposto para exercer suas atividades. 
Daí, eu pensei: cabe aqui eu fazer alguns comentários sobre estas figuras, muitas vezes mal interpretadas, humilhadas e difamadas, ligadas á tempos sombrios como este dia de chuva.

Hoje, a Confraria do Barão de Gourmandise tratará da presença da bruxaria com sua participação na gastronomia. 
Antes, porém, tenho que tratar do imaginário que cerca a personificação da bruxa no conhecimento popular, e usarei aqui, parte de um texto que eu encontrei na Internet, e que servirá direitinho para o que quero esclarecer. O Texto do site diz assim:

A bruxa é um ser fantástico do mal, que persegue os outros seres fantásticos, seres humanos e os bichos da fauna natural. A bruxa tem uma cara horripilante. Anda com roupas imundas e carrega um saco nas costas ou amarrado na cintura. Costumam viver em ambientes úmidos e escuros, cercada de animais nojentos como: baratas, cobras, escorpiões, ratos, morcegos, piolhos, carrapatos e vários tipos de mosquitos, como a mosca-varejeira, a muriçoca e os borrachudos. Em cada continente há uma raça de bruxa assustando as crianças. No Brasil existe a cuca, a mulher do bicho-papão, que é mencionada nas cantigas de ninar. Tradicionalmente a comida predileta das bruxas é a sopa de miúdos de porcaria. Nessa sopa entra de tudo: perna de rã, rabo de cobra, minhoca, unha de macaco, banha de porco-espinho, miúdos de anta, alho, sal grosso, pimenta malagueta e toucinho. É nessa sopa que elas colocam as suas vítimas, humanas ou não, para "engrossar o caldo".

E eu pergunto: até onde esta informação procede?

Desde que eu comecei a pesquisar magia, em um certo período do meu passado, eu fui descobrindo a verdadeira face da bruxaria e a forma como ela foi tratada pelo decorrer dos anos, no mundo todo. Talvez o período de caça as bruxas, a Santa Inquisição, seja um dos maiores responsáveis pela distorção de conteúdo sobre a bruxaria e seus praticantes.
Bruxas são pessoas normais, como eu e você. Ao contrario do que é entendido, procuram se enfeitar e valorizam muito a aparência pois isto lhe confere o poder auspicioso da presença marcante que lhe facilita muito a vida. De certo que as historias que trazem velhas senhoras como bruxas se dá pelo fato de que estariam indicando a idade como tempo de experiência, pois quanto mais experiente uma bruxa for, mais poderosa ela é.
Porém entre as muitas coisas que falam, de verdade ou mentira, sobre as bruxas e bruxos existe uma máxima que eu sempre uso quando trato desde assunto, talvez seja a mais real e de fundamental importância:
“Toda (o) bruxa (o) é cozinheira(o). A cozinha é o seu maior templo, o seu lugar especial aonde eles podem se desligar de tudo e fazer a sua criação usando o que a terra lhes oferta e produzindo delicias como agradecimento por isso”. Tanta é verdade que a toda bruxa é associada ao um caldeirão. E pra que eles servem senão para preparar suas receitas (poções).

Então antes de ler o que se seguirá, pegue seu caldeirão (panela), sua varinha de cozinha (colher de pau), seu livro negro (receitas),vista sua capa (avental) e veja os ingredientes na despensa porque iremos fazer um feitiço no final deste escrito.

Mas como esta história de bruxas começou?

A  bruxaria, designa as faculdades sobrenaturais de uma pessoa, que geralmente se utiliza de ritos mágicos  com intenção maligna – a magia negra - ou com intenção benigna – a magia branca. É também utilizada como sinônimo de curandeirismo e prática oracular, bem como de feitiçaria.
 Para os bruxos atuais, contudo, a bruxaria é o culto à deusa e ao deus em sistemas que variam de uma deidade única hermafrodita ou feminina à pluralidade de panteões antigos, mais notadamente os panteões celta, egípcio, assirio, greco-romano e viking.
Feiticeiro seria aquele que realiza feitiços, seja ele bruxo ou não, e feitiço, o gênero de magia cujo objetivo é interferir no estado mental, astral, físico e/ou na percepção que outra pessoa tem da realidade. 
A magia, por sua vez, é o uso de forças, entidades e/ou "energias" não pertencentes ao plano físico para nele interferir, englobando a feitiçaria e muitas outras formas de ação sobre o plano físico.

A bruxaria tradicional tem suas raízes aprofundadas através do período pre-histórico, podendo ser considerada em parte irmã e em parte filha de antigas práticas e cultos xamãnicos. 
Historicamente, tal e qual os xamãs, o papel social das bruxas tradicionais era basicamente dividido entre a prestação de auxílio à população na cura de problemas de saúde (problemas da carne, da psiquê e do espírito) e o contato com os espíritos dos mortos e dos deuses (encaminhamento de espíritos recém-desencarnados a seu destino, obtenção de favores da Deusa e/ou dos Deuses, previsões do futuro para facilitar a tomada de decisões tanto no nível pessoal quanto para a comunidade - neste último caso a leitura do futuro seria para os chefes).


A bruxaria moderna, por outro lado, embora se relacione firmemente com a Bruxaria tradicional, surge historicamente com Gerald Gardner, com a criação da Wicca no ano 1950 da Era Comum. 
Apesar de a bruxaria tradicional, ao longo de seus estimados mais de 20.000 anos de existência, ter vindo absorvendo elementos estranhos a suas raízes ancestrais, sendo uma religião viva e que evolui continuamente, seu eixo fundamental é bastante distinto do da bruxaria moderna, pois Gardner não apenas adotou novos elementos, mas tornou alguns destes em bases fundamentais da Wicca, amalgamando de forma indissolúvel o que teria aprendido como iniciado na bruxaria tradicional com conhecimentos adquiridos junto ao druidismo e conceitos de origem claramente oriental. Agrava-se a confusão entre bruxaria moderna e bruxaria tradicional ao ter se tornado recorrente o uso da expressão "wicca tradicional" para designar aqueles cuja linhagem iniciática remonta a Gerald Gardner.
 A Bruxaria, sendo caracterizada pela liberdade de pensamento, acaba por apresentar um amplo leque de linhas de pensamento e de vertentes de características bastante distintas, entretanto, alguns elementos em comum podem ser apresentados a fim de que se tenha melhor compreensão do significado da bruxaria. Elencamos dois princípios comuns, em especial, que ao mesmo tempo que ajudam a compreensão, afastam conceitos equivocados calcados em histórias infantis e preconceitos medievais à prática da bruxaria.

·   O Respeito ao Livre-Arbítrio - Nenhum verdadeiro bruxo buscará doutrinar aqueles que têm outro credo. Para os bruxos, a fé só é verdadeira se resulta de escolha individual e espontânea. Nenhum verdadeiro bruxo realizará qualquer tipo de magia no intuito de se beneficiar de algo que prejudicará outra pessoa. Para os bruxos, cada um tem seu próprio desafio a enfrentar. Usar de qualquer subterfúgio para escapar dos desafios que se apresentam é apenas adiar uma luta que terá de ter lugar nesta ou em outras vidas. Adiar problemas é o mesmo que acumulá-los para as próximas encarnações.
·   A Comunhão com a Natureza - O verdadeiro bruxo respeita a natureza, e por natureza ele entende absolutamente tudo o que não é feito pelo homem, inclusive os minerais. Quando preserva a natureza, suas preocupações não são a viabilidade da manutenção da vida humana na Terra, o verdadeiro bruxo respeita a natureza simplesmente porque se sente parte dela, porque a ama. Os bruxos não acham que a natureza está à sua disposição. Os homens, os minerais, os vegetais e toda a espécie de animal são apenas colegas de caminhada, nenhum mais ou menos importante que o outro. Ainda assim, matam insetos que lhes incomodam e arrancam mato que cresce nos canteiros de flores sem dramas de consciência. Não são falsos em suas crenças nem românticos idealistas. Acreditam que conflitos fazem parte da natureza.


E para não encompridar muito o assunto, meu foco hoje são os  bruxos de cozinha. Entende-se por bruxo de cozinha alguém que manipula a energia que a rodeia através de velas, ervas, pedras semipreciosas e os seus próprios cozinhados.  
A  prática  de  magia  de cozinha  é portanto relativamente simples e desprovida de teatralidade ou grandes cerimônias.  Usarei aqui o termo bruxos de cozinha pra me referir á bruxos e bruxas;


A maioria dos bruxos de cozinha honra e celebra  os  festivais tradicionais adotados por Gardner no sentido de rituais  adaptando a energia presente do festival associado aos produtos frescos da época celebrada para efetuar transformações na  sua  vida  prática.  Assim,  o bruxo(a) não irá celebrar épocas de colheitas realizadas, a não ser  que se espelhe o que se passa no seu jardim ou canteiros. Pode e  deve  utilizar energias associadas aos festivais, como a vinda da Primavera e o renascer das flores para potenciar projetos na sua vida pessoal  que  podem nada ter de agrícola, e energia que faz  a  Terra  renascer   pode-nos  dar forças para iniciar um livro, planear um negócio, uma página  de  internet e etc.
Para o  bruxo de cozinha, tudo aquilo que a  Terra nos dá é sagrado e mágico, e uma faca de pão  não  é  mais  nem  menos  que  um athame tradicional. O que afirma é que um objeto que é usado no nosso dia-a-dia fica impregnado com a sua energia através do seu uso contínuo e pode usá-lo em trabalho mágico.


No ato de transformar o alimento estamos também nos transformando. A energia, de nossos pensamentos, acumula-se nas mãos e passam para o alimento.O ato de cozinhar com rituais, é o meio mais eficaz na feitura de feitiços.Temos uma varinha mágica nas mãos e devemos utilizá-la com sabedoria.Não se deve cozinhar com raiva.
No mexer de uma simples colher de pau, estamos penetrando na grande espiral da vida, e a cada volta da colher podemos enxergar mais claramente nosso caminho. Quando se está traçando a espiral, nossos movimentos entram em harmonia com nossa respiração, o equilíbrio se faz, e magicamente nos transportamos pelos ares. Com o calor do fogo sentimos próximos os tempos onde éramos os sacerdotes e sacerdotisas dos templos, onde ensinávamos aos homens a sutileza da caça e onde observávamos os ciclos da lua.  Na feitura do feitiço três ingredientes não podem falta: Amor, Intuição e concentração.
Essa cozinha cibernética de hoje, num passe de mágica terá a cara de cozinhas medievais onde gnomos moram em velhos potes esquecidos. As ervas penduradas exalarão o aroma da feiticeira e o ato de cozinhar será uma grande bruxaria...
Os mistérios que levam ao conhecimento de nossos Deuses e rituais, a beleza de Hécate a gentileza de Perséfone, podemos encontrar em qualquer livro de bruxaria. Mas os pequenos segredos, os feitiços, o poder mágico de certos ingredientes, esses não estão disponíveis em prateleiras.
De todos os ingredientes o mais importante é o Amor. Em grandes e generosas porções adicionadas à uma receita com uma pitada de intuição, eis o grande segredo! Consideramos a alquimia do cozinhar uma das experiências mais fortes na velha arte da Bruxaria.

Quando se cozinha temos os elementos nas mãos, fazemos o supremo feitiço da transmutação da matéria. Transformamos o trigo em pão, o vinho em vinagre, a rosa em geleia.
A cozinha nos traz os mistérios da delicadeza onde voltamos a ser Amazonas como Circe, Lilith, e por intermédio dela faremos renascer o Deus Cornífero, e juntos, semearemos os campos.
 Alguns utensílios são necessários para a cozinha da bruxa. Panelas de ferro ou cerâmica, colheres de pau, vidros de todos os tamanhos e formas, rolhas, potes, ervas penduradas na parede e a vassoura da Bruxa, um incensário,Arruda, Manjericão e muito Alecrim.
 Mas e as asas de morcego, rabo de escorpião e patas de urubu?
Existe por ai uma lenda que diz que os bruxos não queriam que os conhecimentos da sua Arte caíssem em mãos erradas por isso colocaram coisas tenebrosas para que as pessoas tivessem nojo ou medo e não usassem esse conhecimento para o mal. Então usaram coisas esdrúxulas pra denominar algusn ingredientes como verão a seguir;



DICIONÁRIO DO BARÃO PARA TERMOS DA COZINHA DE BRUXOS:
      Asa de Morcego: Pimenta do reino
      Coração de Boi: Tomate
      Barriga de Sapo: Pepino
      Sangue de Moça Virgem: Vinho tinto
      Rabo de Escorpião: Salsa ou coentro
      Moscas Mortas: Uvas passas
      Olho de Sapo: Azeitona
      Terra de Túmulo: Chocolate
      Elfos Negros: Chá preto
      Ossos Moídos: Farinha de trigo
      Beijo da Sereia: Sal
      Pernas de Aranha: Alecrim
      Penas de Fênix: Louro
      Saliva de Dragão: Vinagre de vinho
      Pêlos de Unicórnio: Açúcar
      Lágrimas de Moça: Cebola

Fonte: Alfabeto utilizado de acordo com o livro Bruxaria Natural - Uma Escola de Magia. por Tânia Gori.  Ed. Alfabeto, 2002.


O ARMÁRIO DE COZINHA DA(o) BRUXA(o):
O armário de cozinha guarda uma quantidade surpreendente de ingredientes mágicos, muito temperos e ervas aromáticas que usamos para cozinhar tem associações mágicas. Aqui você encontra alguns temperos e ervas mais comum e suas associações mágicas:

Acácia-suas flores são usadas no transe e também em feitiços amorosos.
Agrimônia-folhas e flores são utilizados para desfazer encantamentos.
Amêndoa- usada como perfume. Suas folhas são usadas nos transes.
Angélica-Como licor é poderoso filtro contra espíritos e negatividade
Anis-Filtro contra espíritos negativos.
Arnica-Poderoso energizante.
Artemísia-Usada como talismã.
Assafétida-Usada para proteção.
Beladona-Alucinógeno.
Briônia-usada em poções amorosas.
Camomila-Usada como tranquilizante.
Cânfora-Bálsamo.
Chicória-fortificante das amizades e traz dinheiro.
Canela-Estimulante sexual.
Cravo-tem opoder de conservar amores.
Dente-de-leão-usado como sachê.
Aneto-usado pera proteger a casa.
Ênula-Campana-filtro amoroso.
Erva-moura-Remédio para os orgãos sexuais. E junto com a mirta em incenso é um poderoso incenso contra miasmas astrais.
Coroa de cristo-usada para proteção.
Erva-doce-Traz coragem e vida longa.
Feijão-símbolo de fertilidade e de proteção contra o mal.
Figueira-traz fertilidade e honras.
Gerânio-ajuda na concretização de desejos.
Gengibre-elixir da longa vida
Girassol-traz paz e é muito eficaz na aquisição de bens.
Íris-Estimula a clarevidencia.
Jasmim-chá afrodisiaco.
Lavavda- poderoso filtro afrodisíaco
Louro-Atrai bons fluidos
Lírio-usada nos encantamentos de reconciliação.
Lima-usada para proteção
Lótus-propicia clarividencia.
Macela.Proporcionam sonhos tranquilos
Maçã-usada em encantamentos amorosos
Manjerona- usada para obter um sono tranquilo.
Menta-refresca o espírito.
Mirra-estimulante sexual.
Mil-folhas-contra o medo.
Murta-Condutor das entidades do astral.
Morango-usada nos encantamentos afetivo sexuais.
Noz-moscada- muito eficaz para atrair dinheiro.
Oliva-energizante.
Patcholi-estimulante sexual
Rosa-estimulante sexual
Tomilho-para um sono sossegado
Verbena-para proteger o ambiente.
Violeta-filtro amoroso

Sopa legítima de feiticeiros
Esse feitiço é para quando sentimos que as energias das pessoas de dentro de casa estão em baixa, então fazem esse feitiço e damos para todos comerem. Pode ser feito em qualquer lua, só não pode estar menstruada. É uma delicia e faz com que as pessoas se tornem mais limpas, isto é, sem energia ruim. Os ciganos dizem que quando as pessoas de casa ou amigos estão nervosos, elas estão com o Gundum Gerere. Gundum Gerere, é um diabinho que fica no ombro esquerdo das pessoas, atormentando e fazendo coisas ruins. Essa comida faz com que ele desapareça. Está certo que é só uma lenda cigana, porém todas as lendas tem o seu significado.

Ovos do Fogo

5 ovos
5 tomates
2 latas de molho de sua preferência
1 cenoura crua
2 cebolas grandes
3 dentes de alho
manjericão e orégano a gosto
1 pitadinha de açúcar
sal a gosto

Colocar todos os ingredientes, menos o manjericão e o orégano, dentro do liquidificador. Os ingredientes são crus. Bater tudo e colocar numa panela de pressão, depois de o molho pronto, acrescentar o sal , o açúcar, o manjericão e o orégano, pegar 5 ovos inteiros e jogar dentro do molho, esperar um pouco, deixar ferver. Servir com arroz branco.

Fontes: GARDNER, Gerald. A Bruxaria Hoje: Madras, 2003.  

3 comentários:

  1. M. Baron
    Béni soit le Seigneur!

    Merci et bonne chance par nous mon amie!
    bisous
    Barone de Crato de Açucar

    ResponderExcluir
  2. Olá Barão
    Adorei sua abordagem do tema, pesquisa muito bem feita.
    Gostaria apenas de ressaltar que o dicionário que você usou e um dicionário de família que foi passado pela minha avó, tanto que publiquei esse dicionário , no livro Bruxaria natural - Uma escola de magia - Editora Alfabeto em 2002 (Edição que está esgotada), e foi também publicado no livro Bruxaria Natural uma filosofia de vida - Editora Madras.
    Beijos Encantados
    Tânia Gori

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cara Tãnia Gori.
      Bom poder contar com sua presença aqui. Aproveito para agradecer pelas suas informações, que só solidificam o sentido deste escrito.
      Saudações da Terra do Sol,
      Reubens - Barão de Gourmandise

      Excluir